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A indústria de recursos haliêuticos no período romano: 
a fábrica da Casa do Governador da Torre de Belém, o estuário do Tejo e a fachada atlântica (PTDC/HAH/74057/2006)

um projecto multi-disciplinar em curso

Carlos Fabião, Isabel Dias, Iola Filipe, Sónia Gabriel, Manuela Coelho, Chistopher Burbidge

A partir de uma intervenção arqueológica de contrato realizada pela empresa ERA Arqueologia no lugar da Casa do Governador da Torra de Belém, em Lisboa, foi identificada uma grande unidade de produção de preparados de peixe de época romana.

A relevância do local suscitou a criação de um projecto de investigação, que obteve financiamento da FCT, que tem por objectivo estudar o sítio em si, no contexto da economia do estuário do Tejo e, em âmbito mais lato, a sua inserção nas rotas atlânticas de circulação de produtos, no período romano.

A abordagem multidisciplinar desenhada pretendeu estabelecer as melhores estratégias para encontrar respostas ao questionário científico elaborado.

Assim, para além do estudo arqueológico da unidade de produção propriamente dita (fases de construção, remodelação, transformação e abandono), da natureza dos artigos ali fabricados, pelo estudo arqueozoológico do remanescente da produção e da inserção da unidade de produção de preparados de peixe na economia do estuário do Tejo, mediante a identificação arqueométrica da(s) origem(ns) das ânforas ali encontradas, particularmente as produzidas na Lusitânia.

Como sempre sucede nestes casos, estamos mais bem informados sobre as fases finais de laboração do que sobre as etapas iniciais, razão pela qual se ensaiaram algumas acções de datação de sedimentos e argamassas. O conjunto dos restos faunísticos começou a ser tratado, designadamente, a ictiofauna e a malacofauna. Pretende-se determinar a natureza dos produtos fabricados. É já claro que estamos perante um artigo que usava esmagadoramente a sardinha e os indicadores da malacofauna evidenciam também a recolecção de algumas espécies, presumivelmente destinadas a uso na confecção dos artigos ali produzidos, embora não seja de excluir a possibilidade de se tratar somente de alimentos destinados ao consumo de quem ali laborava. Afastada ficou a possibilidade de tal recolecção se destinar a uma actividade subsidiária de tinturaria. De entre o conjunto das ânforas, presumivelmente utilizadas para transportar os artigos alimentares ali produzidos, é possível afirmar que são provenientes de centros produtores do baixo Tejo, embora seja igualmente clara a presença de um novo centro produtor ainda não identificado.

O ProjectoPTDC/HAH/74057/2006 resulta de uma parceria entre o Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (UNIARQ), O Instituto de Tecnologia Nuclear (ITN) e a empresa ERA Arqueologia.

FILIPE, I. ; FABIÃO, C. (2006/2007) - Arqueologia & História nº58/59 - Uma unidade de produção de preparados de peixe de época romana na Casa do Governador da Torre de Belém (Lisboa): uma primeira apresentação.
PDF Filipe Fabião 2006/2007
FABIÃO, C. (2009a)  - O Ocidente da Península Ibérica no séc. VI: sobre o Pentanummium de Justiniano I encontrado na Unidade de produção de preparados de peixe da Casa do Governador da Torre de Belém, Lisboa, Apontamentos de Arqueologia e Património – 4 / 2009 (www.nia-era.org). 25,
PDF Fabião 2009
GABRIEL, S. ; FABIÃO, C. ; FILIPE, I. (2009) -  Fish remains from the Casa do Governador – a Roman fish processing factory in Lusitania. In: Fishes – Culture – Environment Through Archaeoichthyology, Ethnography & History. The 15th Meeting of the ICAZ Fish Remains Working Group (FRWG), September, 2009, Srowodisko I Kultura / Environment and Culture, vol. 7, 2009, p.117-119.
PDF Gabriel Fabião Filipe 2009
DIAS, M.I.; PRUDENCIO, M.I.; FILIPE, M.I.; FABIÃO, C.; MARQUES, R.; FRANCO, D. (no prelo) - The amphorae from the Roman fish-salted factory of the Casa do Governador da Torre de Belém (Lisboa, Portugal) : Inferences on their provenance, 38th International Symposium on Archaeometry (Tampa, Florida, May 10-14, 2010).
PDF Dias et al resumo


Gabriel, S.; Fabião, C. (2011) – Roman fish condiments “industry” in Fourth / Fifth centuries AD: the evidence from lower Tagus estuary (Portugal, former Roman province of Lusitania), Workshop 4: Taphonomy and fish analysis in the professional world (University of York, March, 2011) – http://fishbone.nottingham.ac.uk/video.aspx
A unidade de produção de preparados de peixe da Casa do Governador da Torre de Belém, Lisboa , em curso de escavação (fotografia de escavação Era, arqueologia, s.a.).
A unidade de produção de preparados de peixe da Casa do Governador da Torre de Belém, Lisboa , em curso de escavação (fotografia de escavação Era, arqueologia, s.a.).
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Sedimento rico em restos de ictiofauna no interior das cetárias da unidade de produção de preparados de peixe da Casa do Governador da Torre de Belém, Lisboa (Fotografias da escavação Era arqueologia, s.a.)
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Imagem ampliada dos restos de ictiofauna encontrados nos sedimentos depositados no interior das cetárias da unidade de produção da Casa do Governador da Torre de Belém, Lisboa, vértebras de sardinha ainda em conexão anatómica (fotografia Era, arqueologia s.a.).
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O sedimento retirado do interior das cetárias da unidade de produção da Casa do Governador da Torre de Belém, Lisboa, depois de uma primeira crivagem com água
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Ânforas lusitanas do tipo Almagro 51c, no interior da cetária 34 da unidade de produção de preparados de peixe da Casa do Governador da Torre de Belém, Lisboa (fotografia de escavação Era, arqueologia, s.a.).
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Ânforas lusitanas do tipo Almagro 50, no interior da cetária 24 da unidade de produção de preparados de peixe da Casa do Governador da Torre de Belém, Lisboa (fotografia de escavação Era, arqueologia, s.a.).