uniarq
Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa / Centre for Archaeology. University of Lisbon

Financiado através da FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia, no âmbito dos projectos UID/00698/2025 (doi.org/10.54499/UID/00698/2025),
UID/PRR/00698/2025 (doi.org/10.54499/UID/PRR/00698/2025) e UID/PRR2/00698/2025 (doi.org/10.54499/UID/PRR2/00698/2025)
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Editorial
Mariana Diniz, Directora da UNIARQ / UNIARQ Director
O primeiro Editorial da Primavera de 2026 dá-nos mais uma medida da passagem do tempo, do que se espera que o futuro venha a ser e da capacidade de um centro de investigação e dos seus investigadores em contribuírem activamente para a construção de uma sociedade mais informada, mais capaz de criticamente pensar os Presentes que lhe oferecem.
Para a UNIARQ, os seus ODS, Objectvos Desenvolvimento Sustentável importando a terminologia das Nações Unidas, constituem um programa de trabalhos visível neste número da UNIARQ Digital: consolidar campos de investigação fundamental; abrir novas linhas de trabalho em outras cronologias e geografias; reforçar a componente multidisciplinar recuperando o essencial do espirito humanista, fortalecer os laços com diferentes parceiros – poderes públicos, empresas, público interessados;  promover a preservação do património cultural, ambiental; encorajar a pluralidade de perspectivas e pontos de observação procurando gerar um ecossistema cientifico marcado pela biodiversidade.
Para além dos pontos que tratam de investigação fundamental, como os das análises tecno-tipológicas a partir de utensilagens líticas de diferentes cronologias, sobre a gestão da morte no 3º milénio AC ou sobre a história da ciência no século XIX em Portugal e o lugar dos Serviços Geológicos, a presença de Investigadores convidados e a participação da UNIARQ na Futurália e as apresentações no Isto é Arqueologia demonstram essa acção que prepara o futuro e que apresenta resultados.
Mas ao longo do mês de Março muito do trabalho que se fez na UNIARQ e na Divisão de Apoio à Investigação da Faculdade de Letras da Lisboa é, nesta fase, ainda quase invisível. Um número recorde de projectos foi apresentado pelos Investigadores da UNIARQ ao concurso da Fundação para a Ciência e Tecnologia – 2026, e a todos queremos aqui deixar os nossos mais sinceros parabéns, pelo esforço feito para transformar novas questões e novas metodologias num programa de investigação consistente. Este trabalho, por enquanto quase invisível, traduz também o dinamismo da UNIARQ e, por isso, todos nos sentimos de parabéns.
Que a sorte nos sorria, como se diz que faz aos audazes…
Uma boa Páscoa para todos.  
The first Editorial of Spring 2026 once again gives us a sense of the passage of time, of what we expect the future to be, and of the capacity of a research centre and its researchers to actively contribute to building a more informed society – one better equipped to think critically about the presents it encounters.
For UNIARQ, its SDGs (Sustainable Development Goals), borrowing the terminology of the United Nations, constitute a programme of work that is clearly visible in this issue of UNIARQ Digital: consolidating fields of fundamental research; opening new lines of work across other chronologies and geographies; strengthening the multidisciplinary component by recovering the essence of the humanist spirit; reinforcing ties with different partners
– public authorities, companies, and interested audiences; promoting the preservation of cultural and environmental heritage; and encouraging a plurality of perspectives and viewpoints, with the aim of fostering a scientific ecosystem marked by diversity.
In addition to the topics devoted to fundamental research
– such as techno-typological analyses based on lithic assemblages from different periods, studies on the management of death in the 3rd millennium BC, or research on the history of science in 19th-century Portugal and the role of the Geological Survey – the presence of visiting researchers, UNIARQ’s participation in Futurália, and the presentations at This is Archaeology! demonstrate this forward-looking activity, which both prepares the future and presents results.
However, throughout the month of March, much of the work carried out at UNIARQ and within the Research Support Division of the School of Arts and Humanities of the University of Lisbon remains, at this stage, largely invisible. A record number of projects was submitted by UNIARQ researchers to the 2026 call of the Foundation for Science and Technology, and we would like to extend our sincere congratulations to all for the effort invested in transforming new questions and methodologies into consistent research programmes. This work
– still largely unseen – also reflects the dynamism of UNIARQ, and for that reason, we all have cause for celebration.
May fortune favour us, as it is said to favour the audacious…
Wishing everyone a Happy Easter.


NOTÍCIAS / NEWS
“Isto é Arqueologia!”: Três projectos, três olhares sobre o passado e o presente da investigação arqueológica
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No dia 25 de março, mais uma sessão do ciclo “Isto é Arqueologia!” reuniu na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa três apresentações que ilustram a diversidade e vitalidade da investigação arqueológica na UNIARQ, atravessando desde a reflexão crítica sobre a disciplina até às práticas laboratoriais e de campo.
A primeira intervenção, sobre o UPDOG – Desvendando as Histórias dos Cães Portugueses (https://doi.org/10.54499/2024.15279.PEX), coordenado por Cleia Detry (co-PI) e focado na história dos cães em Portugal desde o Mesolítico até ao período histórico. O projeto assenta numa abordagem multidisciplinar, integrando a criação de uma base de dados nacional, datações diretas (¹⁴C) e análises de Morfometria Geométrica (GMM) para investigar a evolução morfológica e social desta primeira espécie domesticada. Paralelamente à componente científica, o UPDOG aposta na divulgação pública, através de conteúdos digitais, um vídeo de boas práticas de escavação e exposições em museus, promovendo o diálogo entre investigação, património e sociedade.
Seguiu-se a exposição de Jorge de Juan Ares sobre o projeto Ciudad de Vascos, uma notável cidade islâmica situada junto a um afluente do Tejo, ocupada entre os séculos X e XII. Resultado de décadas de investigação e de campanhas arqueológicas, o projecto atual, dirigido por Jorge de Juan e com a participação de uma equipa multidisciplinar internacional – entre os quais investigadores da UNIARQ – integra o estudo de contextos urbanos, cerâmicos e faunísticos. Yasmina Cáceres tem vindo a analisar o vasto espólio cerâmico, enquanto Cleia Detry e Manuel Fialho colaboram no estudo das faunas arqueológicas recolhidas desde 1999. Além da investigação científica, o projeto valoriza a dimensão formativa, acolhendo estudantes de licenciatura e mestrado da FLUL em campanhas de ensino arqueológico prático.
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A sessão encerrou com uma apresentação conduzida por Cristina Gameiro, Sérgio Gomes e Daniel Carvalho, que apresentou o balanço das atividades do 50Layers (https://doi.org/10.54499/2023.10940.25abr), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. O projecto propõe-se a explorar a relação entre a Arqueologia Pré-histórica e as questões sociopolíticas contemporâneas, questionando o papel da disciplina na consolidação da democracia em Portugal. Estruturado em três tarefas principais: 1) análise de narrativas através de ciência de dados e inteligência artificial; 2) organização de workshops temáticos; 3) preparação de uma exposição colaborativa, o projeto procura compreender como o discurso arqueológico evoluiu ao longo do século XX e avaliar de que forma certas metodologias ainda refletem heranças de contextos autoritários. A sessão terminou com uma homenagem simbólica à participação cívica e à luta democrática, evocando o plenário estudantil de 25 de março de 1962, ocorrido em frente à FLUL.
O encontro demonstrou, uma vez mais, a pluralidade temática e metodológica que caracteriza a arqueologia produzida na UNIARQ – uma arqueologia atenta às relações entre passado e presente, comprometida com a formação de novas gerações e com a participação informada na vida democrática.

"Isto é Arqueologia!" [This is Archaeology!] Three Projects, Three Perspectives on the Past and Present of Archaeological Research
On March 25, another session of the series “Isto é Arqueologia!” ("This Is Archaeology") brought together at the School of Arts and Humanities of the University of Lisbon three presentations that showcased the diversity and vitality of archaeological research at UNIARQ, spanning from critical reflections on the discipline to laboratory and field practices.
The first presentation focused on
UPDOG – Uncovering Portuguese Dog Histories (https://doi.org/10.54499/2024.15279.PEX), coordinated by Cleia Detry (co-PI) and dedicated to the history of dogs in Portugal from the Mesolithic to the historical period. The project follows a multidisciplinary approach, combining the creation of a national database, direct radiocarbon dating (¹⁴C), and Geometric Morphometric (GMM) analyses to investigate the morphological and social evolution of this first domesticated species. Alongside the scientific dimension, UPDOG also prioritizes public outreach, producing digital content, a video on excavation best practices, and museum exhibitions, fostering dialogue between research, heritage, and society.
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The second presentation, by Jorge de Juan Ares, addressed the Ciudad de Vascos project – a remarkable Islamic city located near a tributary of the Tagus River and occupied between the 10th and 12th centuries. The result of decades of research and archaeological campaigns, the current project, directed by Jorge de Juan and involving an international multidisciplinary team (including researchers from UNIARQ), integrates the study of urban, ceramic, and faunal contexts. Yasmina Cáceres has been analysing the extensive ceramic collection, while Cleia Detry and Manuel Fialho collaborate on the study of the archaeological fauna recovered since 1999. Beyond its scientific scope, the project also values training opportunities, welcoming BA and MA students from FLUL in hands-on archaeological fieldwork campaigns.
The session concluded with a presentation by
Cristina Gameiro, Sérgio Gomes, and Daniel Carvalho, providing an overview of the activities of the 50Layers project (https://doi.org/10.54499/2023.10940.25abr), funded by the Portuguese Foundation for Science and Technology (FCT) as part of the celebrations marking the 50th anniversary of the 25 April Revolution. The project explores the relationship between Prehistoric Archaeology and contemporary sociopolitical issues, questioning the discipline’s role in the consolidation of democracy in Portugal. Structured around three main tasks – (1) analysis of narratives through data science and artificial intelligence, (2) organization of thematic workshops, and (3) development of a collaborative exhibition – the project seeks to understand how archaeological discourse evolved throughout the 20th century and to assess how certain methodologies may still reflect legacies of authoritarian contexts. The session concluded with a symbolic tribute to civic participation and democratic struggle, evoking the student plenary of March 25, 1962, which took place in front of FLUL.
The meeting once again highlighted the thematic and methodological plurality that defines archaeology at UNIARQ
– a form of archaeology attentive to the connections between past and present, committed to training new generations, and engaged in informed participation in democratic life.
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Cleia Detry, Cristina Gameiro e Manuel Fialho
A Licenciatura em Arqueologia marcou presença na Futuralia 2026
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No passado dia 17 de março, a Licenciatura em Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) esteve representada na Futuralia 2026, a maior feira de educação, formação e empregabilidade do país, que decorreu na FIL – Feira Internacional de Lisboa.
Em representação do curso, estiveram a docente Cleia Detry e as alunas Inês Gonçalves e Beatriz Blanquet, que divulgaram junto dos estudantes do ensino secundário o funcionamento da licenciatura, os principais conteúdos e metodologias de ensino, bem como as possibilidades de prosseguimento de estudos e saídas profissionais.
Como é habitual, a feira contou com uma elevada afluência de visitantes, e o espaço da FLUL despertou grande interesse entre os jovens que procuram conhecer de perto a vida académica e as oportunidades de formação em Arqueologia. A Licenciatura marcou presença logo no primeiro dia da Futurália, contribuindo para inspirar a próxima geração de arqueólogas e arqueólogos.

The Archaeology Degree at Futuralia 2026
On March 17, the Bachelor’s Degree in Archaeology from the School of Arts and Humanities of the University of Lisbon (FLUL) was represented at Futuralia 2026, Portugal’s largest education, training, and employability fair, held at the Lisbon International Fair (FIL).
Representing the course were lecturer Cleia Detry and students Inês Gonçalves and Beatriz Blanquet, who engaged with secondary-school students to explain how the Archaeology programme works, its structure and teaching methods, as well as the study paths and professional opportunities it offers.
As in previous years, the fair attracted a very large audience, and the FLUL booth drew significant interest from young visitors eager to learn more about academic life and training opportunities in Archaeology. The degree programme was present on the very first day of the event, helping to inspire the next generation of archaeologists.
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Cleia Detry
Tertúlia: os primeiros Serviços Geológicos e a Academia das Ciências de Lisboa
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No dia 19 de março decorreu na Academia das Ciências de Lisboa mais uma tertúlia, dedicada a debater o papel desta Academia no desenvolvimento das Ciências em Portugal, em registo francamente informal.
Esta terceira tertúlia, coordenada e dinamizada pelos Académicos Manuel João Lemos de Sousa e João Luís Cardoso foi dedicada aos primórdios dos estudos geológicos em Portugal e aos primeiros ensaios da sua cartografia. Uma vez que estes levantamentos conduziram também à correcta identificação de antigos vestígios da presença humana no nosso território, Carlos Fabião, juntou-se a João Luís Cardoso na abordagem do tema, não somente das indagações geo-arqueológicas propriamente ditas, mas também da sua publicação e disseminação internacional e junto de um público letrado e urbano. Porque estes trabalhos geológicos estavam associados a instituições e agentes, Vanda Leitão interveio também, analisando as primeiras, sem esquecer os segundos.

Discussion Session: The First Geological Services and the Lisbon Academy of Sciences
On March 19, another discussion session took place at the Lisbon Academy of Sciences, dedicated to debating the role of this Academy in the development of science in Portugal, in a distinctly informal setting.
This third session, coordinated and led by Academics Manuel João Lemos de Sousa and
João Luís Cardoso, focused on the early stages of geological studies in Portugal and the first attempts at their cartography. As these surveys also led to the correct identification of ancient traces of human presence in our territory, Carlos Fabião joined João Luís Cardoso in addressing the topic—not only the geo-archaeological investigations themselves, but also their publication and international dissemination, as well as their reach among an educated urban audience. Since these geological works were associated with institutions and key figures, Vanda Leitão also contributed, analyzing the former while not overlooking the latter.

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Carlos Fabião; Tradução revista por Bianca Viseu
Inovação tecnológica no Paleolítico Superior: o papel do tratamento térmico do cherte
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Foi publicado recentemente um artigo na revista Archaeological and Anthropological Sciences (doi.org/10.1007/s12520-026-02420-w) que apresenta uma investigação desenvolvida maioritariamente no âmbito do doutoramento de Julie Bachellerie. O estudo centra-se numa inovação técnica do Solutrense (c. 26–23,5/23 mil anos cal BP) no sudoeste de França: o tratamento térmico do cherte.
O tratamento térmico consiste num processo intencional de aquecimento que altera as propriedades mecânicas do cherte, melhorando frequentemente a qualidade da matéria-prima e facilitando determinadas etapas do talhe. No entanto, apesar das suas vantagens, a utilização desta técnica durante o Solutrense permanece ainda pouco documentada.
Este trabalho analisa cerca de vinte conjuntos líticos do sudoeste de França, combinando a identificação macroscópica de vestígios de aquecimento com análises tecnoeconómicas e experimentação (aquecimento e talhe).

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Os resultados mostram que esta técnica não era generalizada nem sistemática. Surge sobretudo associada à produção de pontas de folha de loureiro, um dos artefactos mais emblemáticos do Solutrense. As experiências confirmam que o aquecimento facilita fases delicadas do talhe, nomeadamente o adelgaçamento bifacial e o retoque por pressão, embora a raridade de peças tratadas indique um processo exigente e selectivo.
A concentração de peças tratadas termicamente em poucos sítios, frequentemente associados a fases avançadas de produção, sugere uma organização espacial segmentada e, possivelmente, o armazenamento ou circulação destes artefactos. A sua produção parece, assim, refletir um planeamento deliberado e a antecipação de necessidades futuras.

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Technological innovation in the Upper Paleolithic: the role of heat treatment of chert
A recent article was published in the journal Archaeological and Anthropological Sciences (doi.org/10.1007/s12520-026-02420-w) presenting research largely carried out as part of Julie Bachellerie’s PhD work. It focuses on a Solutrean technical innovation (ca. 26–23.5/23 ka cal BP) in southwestern France: the heat treatment of chert.
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Heat treatment is an intentional heating process that modifies the mechanical properties of chert, often improving the quality of the raw material and facilitating certain stages of knapping. However, despite its advantages, the use of this technique during the Solutrean period remains poorly documented.
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This study examines around twenty lithic assemblages from southwestern France, combining the macroscopic identification of heat-treatment traces with techno-economic analysis and experimental heating and knapping.
The results show that this technique was neither widespread nor systematic. It appears mainly associated with the production of laurel-leaf points, one of the most emblematic Solutrean artefacts. Experiments confirm that heating facilitates delicate stages of knapping, particularly bifacial thinning and pressure retouch, although the rarity of heated artefacts suggests a costly and selective process.
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The concentration of heat-treated pieces at only a few sites, often linked to advanced stages of production, suggests spatially segmented production and possibly the storage or circulation of these artefacts. Their manufacture therefore appears to reflect deliberate planning and anticipation of future needs.
Julie Bachellerie; Tradução para português revista por André Pereira

INVESTIGAÇÃO NA UNIARQ
RESEARCH AT UNIARQ
Mónica Corga - Bolseira de Doutoramento FCT / FCT PhD Fellow (2023.04363.BDANA)
Um Arado sobre os Ossos dos Mortos: a construção das paisagens mortuárias no 3º milénio AC, a partir de uma abordagem integrada das práticas de gestão da morte no recinto do Porto Torrão
Equipa de orientação:
Mariana Diniz – UNIARQ | FLUL
Sérgio Monteiro-Rodrigues – CITCEM | FLUP
Miguel Almeida – Morph | Grupo Octopetala

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Localização do Porto Torrão no contexto dos megasites ibéricos / Location of Porto Torrão within the context of Iberian megasites (a partir de / after Chapman e Gaydarska, 2022).
Breve descrição do projecto:
O 3.º milénio A.C. caracteriza‑se, em toda a Península Ibérica, pela emergência de centralidades monumentalizadas, pelo crescimento das redes culturais e económicas de longa distância, e por uma intensificação sem precedentes da estratificação social e antropização da paisagem. Contudo, apesar de amplamente reconhecidos, estes fenómenos permanecem profundamente debatidos, exigindo estudos integrados que articulem práticas sociais, gestão da morte, estruturas de poder e territorialidade
[18; 22].
Este projecto de doutoramento pretende compreender como as comunidades do 3.º milénio AC produziram, transformaram e usaram as suas paisagens mortuárias, tomando como caso de estudo o recinto calcolítico de Porto Torrão, um dos maiores e mais complexos recintos da Pré‑história Recente do Sul de Portugal.
Integrado numa rede de “lugares centrais”
[4; 20], o sítio apresenta uma extraordinária diversidade de práticas mortuárias, dentro e fora do recinto; em fosso, fossa ou sepulcros colectivos; em necrópoles ou isolados; em posição primária ou mostrando intensa manipulação dos restos humanos [15; 19; 21; 23]. Esta diversidade não é apenas arqueológica: ela reflete formas distintas de viver e pensar a morte, e é precisamente nesse espaço simbólico que este projecto se inscreve.
Parto de três premissas estruturantes:
(1) A morte, enquanto ritualização, constitui um momento crítico de coesão comunitária e reconstrução identitária
[7; 8; 13; 16];
(2) O registo arqueológico preserva materialmente traços das performances sociais associadas à gestão da morte que permitem inferir dimensões simbólicas, económicas e políticas
[11; 12; 15; 17];
(3) A interpretação destes traços exige, desde a escavação, uma abordagem holística, transdisciplinar combinando arqueotanatologia, antropologia da morte, geoarqueologia, análises laboratoriais e diferentes tecnologias de prospeção
[6; 9; 10; 11; 12; 14; 15; 24].
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Aspecto de contextos mortuários colectivos em estudo / Overview of collective mortuary contexts under study
Ao mesmo tempo, o projeto responde a uma necessidade crítica: grande parte do conhecimento disponível sobre Porto Torrão resulta de Arqueologia Preventiva, que, devido ao modelo adoptado, apresenta limitações estruturais — reduzida integração multidisciplinar, áreas de intervenção condicionadas e baixas taxas de processamento laboratorial [1; 2; 3]. Estas limitações produziram um défice de impacto científico e social que este doutoramento pretende colmatar através de uma revisão crítica, sistematização e valorização dos dados acumulados ao longo de décadas.
Financiado pela FCT, no contexto das Bolsas de Doutoramento, da linha em ambiente não académico, o projeto assenta em dois eixos complementares:
1. Investigação Fundamental
Analisar de forma integrada as práticas mortuárias de Porto Torrão para compreender:
  • as redes culturais, simbólicas e económicas do sítio a escalas regional e peninsular;
  • os processos de complexificação social que caracterizam o Calcolítico ibérico;
  • a relação entre monumentalidade, memória e identidade comunitária.
2. Investigação Aplicada
Propor protocolos adequados para a Arqueologia Preventiva, reforçando:
  • a integração de dados multidisciplinares;
  • o uso sistemático de análises laboratoriais;
  • a aplicação de tecnologias de prospeção (geofísica, SIG, arqueometria);
  • a qualificação dos processos de recolha, tratamento e interpretação de dados.
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Análise tecno-tipológica de materiais cerâmicos. Criação de modelos fotográficos bi- e tridimensionais obtidos a partir de fotogrametria digital e image tiling com focus stacking / Techno-typological analysis of ceramic materials. Creation of two- and three-dimensional photographic models using digital photogrammetry and image tiling with focus stacking
Através da revisão de coleções arqueológicas, prospeção geofísica, inventariação de soluções funerárias e definição de redes de aprovisionamento, o projeto visa produzir um modelo interpretativo robusto para Porto Torrão e sua integração no sudoeste peninsular e, simultaneamente, propor uma metodologia exportável para outros contextos de Arqueologia Preventiva em Portugal.
No final, este doutoramento pretende não só aprofundar o conhecimento sobre a gestão social da morte no 3.º milénio AC, mas também contribuir para a preservação da memória histórica, para a optimização das práticas arqueológicas e para a valorização de um património único, cuja relevância transcende a comunidade científica.

A Plough over the Bones of the Dead: The Construction of Mortuary Landscapes in the 3rd Millennium BC through an Integrated Approach to Death Management Practices at the Porto Torrão Enclosure
Supervising Team:
Mariana Diniz – UNIARQ | FLUL
Sérgio Monteiro-Rodrigues – CITCEM | FLUP
Miguel Almeida – Morph | Octopetala Group

Project Overview:
The 3rd millennium BC is characterised, across the entire Iberian Peninsula, by the emergence of monumentalised centres, the expansion of long-distance cultural and economic networks, and an unprecedented intensification of social stratification and landscape anthropization. However, although widely recognised, these phenomena remain the subject of intense debate, requiring integrated studies that bring together social practices, the management of death, power structures and territoriality 
[18; 22].
This PhD project aims to understand how communities of the 3rd millennium BC created, transformed and utilised their funerary landscapes, using the Chalcolithic site of Porto Torrão — one of the largest and most complex sites from the Recent Prehistory of southern Portugal — as a case study.
As part of a network of “central places” 
[4; 20], the site exhibits an extraordinary diversity of mortuary practices: inside and outside the enclosure; in ditches, pits, or collective tombs; in necropolises or isolated contexts; in primary deposition or showing intensive manipulation of human remains [15; 19; 21; 23]. This diversity is not merely archaeological — it reflects different ways of living and conceptualizing death, and it is within this symbolic space that the project is situated.

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Tratamento de dados obtidos por DRF para pigmento vermelho presente nos contextos mortuários / Processing of data obtained through XRF (X-ray fluorescence) analysis of red pigment present in mortuary contexts
The research is grounded on three key premises:
(1) Death, as a ritualized process, represents a critical moment of community cohesion and identity reconstruction
[7; 8; 13; 16];
(2) The archaeological record materially preserves traces of social performances associated with the management of death, allowing us to infer symbolic, economic, and political dimensions 
[11; 12; 15; 17];
(3) Interpreting these traces requires a holistic, transdisciplinary approach from the excavation stage onward, combining archaeothanatology, anthropology of death, geoarchaeology, laboratory analyses, and a range of survey technologies 
[6; 9; 10; 11; 12; 14; 15; 24].
At the same time, the project addresses a critical issue: much of the existing knowledge about Porto Torrão derives from Preventive Archaeology, which — due to its operational framework — presents structural limitations, including limited multidisciplinary integration, constrained intervention areas, and low rates of laboratory processing
[1; 2; 3]. These limitations have resulted in a gap in both scientific and social impact, which this PhD seeks to overcome through the critical revision, systematization, and enhancement of data accumulated over decades.

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Aspecto de resultados de análise espacial e estratigráfica de contextos com ossos humanos / Example of spatial and stratigraphic analysis results for contexts containing human remains
Funded by the Portuguese Foundation for Science and Technology (FCT), within the framework of PhD grants in a non-academic environment, the project is structured around two complementary axes:
1. Fundamental Research
To analyze Porto Torrão’s mortuary practices in an integrated manner, in order to understand:
  • the cultural, symbolic and economic networks of the site at regional and peninsular levels;
  • the processes of social complexity that characterize the Iberian Chalcolithic;
  • the relationship between monumentality, memory, and community identity.
2. Applied Research
To propose improved protocols for Preventive Archaeology, strengthening:
  • the integration of multidisciplinary data;
  • the systematic use of laboratory analyses;
  • the application of survey technologies (geophysics, GIS, archaeometry);
  • the quality of data collection, processing, and interpretation.
Through the revision of archaeological collections, geophysical survey, the inventory of funerary solutions, and the identification of procurement networks, the project aims to develop a robust interpretative model for Porto Torrão and its integration within the southwestern Iberian context. At the same time, it seeks to propose a transferable methodology for other Preventive Archaeology contexts in Portugal.
Ultimately, this PhD aims not only to deepen our understanding of the social management of death in the 3rd millennium BC, but also to contribute to the preservation of historical memory, the improvement of archaeological practices, and the valorization of a unique heritage whose relevance extends far beyond the scientific community.

Bibliografia / Bibliography: 
  1. Almeida, M. (2022). Vitaminas ou Cianeto: que solução para uma Arqueologia de empresas? Al-Madan. IIª série (25): 130-137.
  2. Almeida, M. & Neves, M. (2006). Arqueologia low-cost: fatalidade nacional ou opção de classe? Al-Madan. IIª série (14): 86-91.
  3. Almeida, M. J. (2022). Conservação pelo Registo: qual registo? IIª série (25): 94-98.
  4. Aranda Jiménez, G.; Lozano Medina, A.; Escudero Carrillo, J.; Sánchez Romero, M., Alarcón García, E.; Fernández Martín, S., Díaz-Zorita Bonilla, M. & Barba Colmenero, V. (2016). Cronología y temporalidad de los recintos de fosos prehistóricos: el caso de Marroquíes Bajos (Jaén). Trabajos De Prehistoria, 73(2), 231–250. https://doi.org/10.3989/tp.2016.12171
  5. Arnaud, J. M. (1993). O povoado calcolítico de Porto Torrão (Ferreira do Alentejo): síntese das investigações realizadas. Vipasca 2, Aljustrel, Câmara Municipal de Aljustrel: 41-61.
  6. Bueno Ramirez, P. & Soler Díaz, J. (Coord.). Ídolos. Olhares Milenares – O Estado da Arte em Portugal. Lisboa, Portugal: MNA e Imprensa Nacional. 360p.
  7. Chambon, P. (2003). Les morts dans les sépultures collectives néolithiques en France: du cadavre aux restes ultimes. Éditions CNRS: Paris. 395p.
  8. Chesson, M. S. (ed.). (2001). Social Memory, Identity, and Death: Anthropological Perspectives on Mortuary Rituals. Archeological Papers of the American Anthropological Association, 10(1).
  9. Corga, M. (2022). Os Vivos depois da Morte uma abordagem à gestão mortuária dos Tholoi 1 e 2 da Horta do João da Moura 1 (Ferreira do Alentejo) durante o 3º milénio AC. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. https://hdl.handle.net/10216/145030
  10. Crubézy, E. (2000). L'Étude des Sépultures ou du Monde des Morts au Monde des Vivants. Anthropobiologie, archéologie funeraire et anthropologie de terrain. In: A. FERDIÈRE (ed.). L'Archéologie Funeraire. Collection “Archéologiques”. Paris. Editions Errance: 8-54.
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  12. Evangelista, L.S. (2017). Resting in Peace or in Pieces? Tomb I and death management in the 3rd millennium BC at the Perdigões Enclosure (Reguengos de Monsaraz, Portugal). Tese de doutoramento em Antropologia Biológica apresentada ao Departamento de Ciências da Vida. Faculdade de Ciências e tecnologia. Universidade de Coimbra. http://hdl.handle.net/10316/81204
  13. Hallam, E., Hockey, J., & Howarth, G. (1999). Beyond the Body: Death and Social Identity (1st ed.). Routledge. https://doi.org/10.4324/9780203982174
  14. Monteiro-Rodrigues, S., & Oliveira, C. (2018). A anta dos Currais do Galhordas (Castelo de Vide, Alto Alentejo, Portugal): Arquitetura, cronologia e análise química de resíduos orgânicos de recipientes cerâmicos. Estudos Do Quaternário / Quaternary Studies, (18), 15-34. https://doi.org/10.30893/eq.v0i18.168
  15. Neves, M. J. (2019). O contributo da Arqueotanatologia para a compreensão das práticas Funerárias nos 4º e 3º milénios a.c. no Sul de Portugal: Os hipogeus de Monte Canelas I (Portimão, Faro) e Monte do Carrascal 2 (Ferreira do Alentejo, Beja). Tese no âmbito do Doutoramento em Antropologia, Antropologia Biológica apresentada ao Departamento de Ciências da Vida. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. http://hdl.handle.net/10316/90757
  16. Parker Pearson, M. (2000). The archaeology of death and burial. College Station: Texas A&M University Press.
  17. Stutz, L. N. & Tarlow, S. (eds), The Oxford Handbook of the Archaeology of Death and Burial (2013; online edn, Oxford Academic, 1 Aug. 2013). https://doi.org/10.1093/oxfordhb/9780199569069.001.0001
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  19. Valera, A. C. (ed.) (2014). Recent Prehistoric Enclosures and Funerary Practices in Europe. Proceedings of the International Meeting held at the Gulbenkian Foundation. BAR International Series 2676: Oxford.
  20. Valera, A.C. (2016). Ditched enclosures and the ideologies of death in the late Neolithic and Chalcolithic South Portugal. In: V. ARD & L. PILLOT (eds.). Giants in the Landscape: monumentality and territories in the European Neolithic. Proceedings of the XVII UISPP World Congress (1-7 September, Burgos, Spain). Vol. 3 / Session A25d. (pp.69-84). Archeopress Archaeology. Gordon House. http://www.monument.ufg.uni-kiel.de/fileadmin/projekte/common/fmsd18/Megaliths_Societies_Landscapes_3.pdf
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  23. Valera, A.C., Figueiredo, M., Lourenço, M., Evangelista, L. S., Basílio, A. C., Wood, R. (2019). O Tholos de Cardim 6. Porto Torrão, Ferreira do Alentejo (Beja). Era Monográfica. 3. https://www.era-arqueologia.pt/publicacoes/eramonografica/69
  24. Wood, M. (2022). Recent Developments in Archaeometry. Murphy & Moore Publishing. 242p.
Mónica Corga; Tradução revista por Daniel Sánchez-Gómez
INVESTIGADOR VISITANTE NA UNIARQ
VISITING RESEARCHER AT UNIARQ
José Luis Caro (Universidad de Málaga)
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José Luis Caro, investigador e docente da Universidade de Málaga, realizou no dia 9 de março, na Faculdade de Letras de Lisboa, uma conferência centrada na utilização de tecnologias digitais para a valorização e comunicação do património arqueológico. A iniciativa integrou-se no programa da disciplina Indígenas, Fenícios e Gregos na Península Ibérica e abordou, em particular, o desenvolvimento de experiências de modelação 3D e de realidade virtual aplicadas ao património fenício da região de Málaga.
Responsável desde 2018 pela Cátedra Estratégica de Tecnologia de Vanguarda em Humanidades, José Caro tem desenvolvido investigação que cruza diferentes áreas do conhecimento, articulando informática, matemática e arqueologia. Entre as suas principais linhas de trabalho destacam-se a aplicação da datação por radiocarbono e de modelos bayesianos ao estudo da pré- e proto-história, bem como o uso de ferramentas digitais na análise e divulgação do património histórico.
Durante a sessão, o investigador apresentou alguns projetos desenvolvidos no âmbito destas iniciativas, dedicados especificamente à criação de reconstruções digitais de contextos arqueológicos fenícios da baía de Málaga. Entre os casos abordados destacou-se o sítio do Cerro del Villar, atualmente em escavação sob direção de José Suárez Padilla, onde os trabalhos se concentram na área da chamada Casa do Embarcadero e na reconstrução de uma embarcação fenícia. Foram também apresentados os resultados de iniciativas de documentação e divulgação associadas aos santuários identificados na Calle Cister, no centro urbano de Málaga, estudados por Ana Arancibia e Bartolomé Mora-Serrano.
Através da criação de ambientes virtuais e reconstruções tridimensionais, estas iniciativas procuram não apenas apoiar a investigação científica, mas também oferecer novas formas de interpretação e comunicação do passado. Segundo o investigador, a integração de tecnologias imersivas constitui hoje uma ferramenta fundamental para aproximar a arqueologia do público e reforçar a valorização do património histórico da região.

José Luis Caro, researcher and lecturer at the University of Málaga, delivered a lecture on 9 March at the School of Arts and Humanities of the University of Lisbon, focusing on the use of digital technologies for the enhancement and communication of archaeological heritage. The initiative formed part of the programme of the course Indigenous Peoples, Phoenicians and Greeks in the Iberian Peninsula and addressed, in particular, the development of 3D modelling and virtual reality experiences applied to the Phoenician heritage of the Málaga region.
Since 2018, José Caro has been responsible for the Strategic Chair in Cutting-edge Technology in the Humanities, where he has carried out research that brings together different fields of knowledge, combining computer science, mathematics and archaeology. His main lines of research include the application of radiocarbon dating and Bayesian modelling to the study of prehistory and protohistory, as well as the use of digital tools in the analysis and dissemination of historical heritage.
During the session, the researcher presented several projects developed in the context of these initiatives, specifically dedicated to the creation of digital reconstructions of Phoenician archaeological contexts in the Bay of Málaga. Among the case studies discussed was the site of Cerro del Villar, currently under excavation under the direction of José Suárez Padilla, where work is concentrated in the area of the so-called Casa del Embarcadero and on the reconstruction of a Phoenician vessel. The results of documentation and dissemination initiatives related to the sanctuaries identified in Calle Cister, in the urban centre of Málaga, studied by Ana Arancibia and Bartolomé Mora-Serrano, were also presented.

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Through the creation of virtual environments and three-dimensional reconstructions, these initiatives aim not only to support scientific research but also to offer new ways of interpreting and communicating the past. According to the researcher, the integration of immersive technologies now constitutes a fundamental tool for bringing archaeology closer to the public and for strengthening the appreciation of the region’s historical heritage.
Elisa de Sousa; Tradução revista por Bianca Viseu

PEÇA DO MÊS
ARTEFACT OF THE MONTH
Machado-amuleto (pedra polida)
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Fig. 1: Registo do machado MAC/VNSP 1470 / Record of the axe MAC/VNSP 1470.
Proveniência: Povoado Calcolítico de Vila Nova de São Pedro (Azambuja)

Local de depósito: Reservas do Museu Arqueológico do Carmo
 
No âmbito do projecto de Doutoramento “Instrumentos de Pedra Polida do 3º milénio AC, no Extremo Ocidente peninsular - meios e modos de produção de uma revolução agrícola - o caso de Vila Nova de São Pedro (Azambuja)”, foi identificado um restrito conjunto de peças particulares, entre as quais, um machado-amuleto.
Com efeito, o artefacto MAC/VNSP 1470
(Fig.1), apresenta características que o definem como um possível elemento de adorno. Esta peça reproduz à pequena escala (48mm x 47mm), um machado de morfologia trapezoidal e secção oval, produzido sobre uma matéria-prima incomum nos artefactos funcionais (lidito), e possui um orifício na extremidade que se desenvolve perpendicularmente ao seu eixo central. Apesar de, geralmente aceite que a perfuração serviria para a sua suspensão e se destinavam a ser pendurados ao pescoço, as marcas de desgaste observadas no fio do gume desta peça apontam para algum tipo de utilização prática (Fig.2).
A Etnografia
(White, 1979; Petrequin e Petrequin, 2020; Klimscha, 2024), tem mostrado que o Machado é demasiado valioso para ser descartado, podendo assumir outras conotações para além do seu evidente significado funcional. As versões miniaturizadas são mormente interpretadas como objectos votivos, mas o facto é que o uso destes machados para trabalhos manuais de maior precisão seria completamente plausível. Uma vez gastos, assumiriam um papel social como parte de uma actividade ritual. 
Os machados de pedra polida representam a transição para uma economia produtora e de aumento da complexidade social, sendo reconvertidos a objectos de culto
(Fig.3) - simbolicamente depositados nos espaços funerários - ou  transformados em amuletos para uso pessoal, sublinhando o estatuto do seu detentor.
Fotografia
Fig. 2: Observação microscópica ao microscópio digital (LEICA DMS 1000) / Microscopic observation using a digital microscope (LEICA DMS 1000)
Amulet Axe (polished stone)
Provenance: Chalcolithic Settlement of Vila Nova de São Pedro (Azambuja)

Repository: Reserves of the Museu Arqueológico do Carmo


Within the scope of the PhD project “Polished Stone Tools of the 3rd Millennium BCE in the Westernmost Iberian Peninsula – Means and Modes of Production of an Agricultural Revolution: the Case of Vila Nova de São Pedro (Azambuja)”, a restricted set of particular items was identified, among which stands out an amulet axe.
The artefact MAC/VNSP 1470
(Fig. 1) exhibits characteristics that suggest a possible ornamental function. The piece reproduces, on a small scale (48 mm x 47 mm), an axe with a trapezoidal shape and oval cross-section, made from a raw material uncommon for functional artefacts (lidite), and features a hole at one end, perpendicular to its central axis. While it is generally accepted that the perforation would allow suspension, presumably to be worn around the neck, wear marks observed on the cutting edge indicate some form of practical use (Fig. 2).
Fotografia
Fig. 3: Ilustração de colar feito de contas azuis e um único machado pré-histórico de diorito como pingente central, identificado num túmulo em Narce (região de Faliscas, Itália) (Faraone, 2014) / Illustration of a necklace made of blue beads with a single prehistoric diorite axe as the central pendant, identified in a tomb at Narce (Faliscan region, Italy) (Faraone, 2014).
Ethnographic studies (White, 1979; Petrequin & Petrequin, 2020; Klimscha, 2024) show that axes were too valuable to be discarded, and could hold meanings beyond their obvious functional use. Miniaturized versions are often interpreted as votive objects, yet their use for fine manual work is entirely plausible. Once worn out, they could take on a social or ritual role.
Polished stone axes represent the transition to a productive economy and increasing social complexity, being repurposed as objects of worship (Fig. 3) – symbolically deposited in funerary spaces – or transformed into personal amulets, highlighting the status of their owner.

Bibliografia / Bibliography:
FARAONE, C.A. (2014) - Inscribed Greek Thunderstones as House- and Body-Amulets in Roman Imperial Times. Kernos [Online], 27.DOI: https://doi.org/10.4000/kernos.2283 
KLIMSCHA, F. (2025) - Axes make the man. The social and economic value of axe blades in the Neolithic. In RISCH, R., PERNICK, E. & MELLER, H. (ed.), The social value of prehistoric axes - new archaeological and archaeometric approaches. Heidelberg: Propylaeum. pp.47-64.DOI: https://doi.org/10.11588/propylaeum.1474.c21011 
PETREQUIN P.; PETREQUIN, A-M. (2020) - Ecology of a tool: The Ground Stone Axes of Irian Jaya (Indonesia). Oxbow Books. 
WHITE, J. P. (1979) - Recreating the stone age. Popular Archaeology. pp.19–21.

Ana Rosa; Tradução revista por Bianca Viseu

AGENDA
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Workshop
"Pluralidade, Arqueologia, Democracia"
7 de abril | 14h30-18h30
Faculdade de Letras de Coimbra

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1.º Curso Livre de Arqueologia UNIARQ
7 de abril a 2 de junho
Faculdade de Letras de Lisboa
Inscrições AQUI

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Aula Aberta/Conferência
Deu gente... e agora?
Questões estratégicas, metodológicas e interpretativas do ponto de vista do(a) Arqueólogo(a).
por Mónica Corga
8 de abril | 11h00- 12h30
Faculdade de Letras de Lisboa

Entrada livre
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V Encontro Peninsular de Numismática Antiga (EPNA)
"Guerra e Moeda"
9 a 11 de abril
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Mais informação AQUI

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Prehistoric Textile Tool Kits: From the Baltic to the Mediterranean
13 de abril
Faculdade de Arqueologia da Universidade de Varsóvia
Mais informação AQUI

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X Feira do Livro Arqueológico UNIARQ
20 a 24 de abril
Sala A111 ("Gabinete Verde") da Faculdade de Letras de Lisboa
Preçário AQUI

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Conferência
Astérix vai à Escola, na Lusitânia 
por Carlos Fabião e António Marques
23 de abril | 18h | Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa
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Aula Aberta/Conferência
Povoado de Cabanas de Santa Sofia: 20 anos depois. Entre indígenas e fenícios no vale do Tejo
por João Pimenta
27 de abril | 12h30-14h00
Faculdade de Letras de Lisboa
Entrada livre
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International Workshop
«Exploring Textile Transitions in the Long 2nd Millennium BCE (2200 - 800 BCE): Bronze Age Portugal in its Mediterranean and European Context»
28 e 29 de abril
Faculdade de Letras de Lisboa

Programa AQUI
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DIA ABERTO FLUL
"Uma vida em Letras, um só dia"
29 de abril
Faculdade de Letras de Lisboa
Pré-inscrições AQUI

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ISTO É ARQUEOLOGIA!2025-2026
29 de abril | 17h00
Sala C130 (Anfiteatro 2) da FLUL

Entrada Livre
Mais informação e programa AQUI
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PZAF 2026
16 a 19 de junho de 2026
Faculdade de Letras de Lisboa

Mais informação e inscrições AQUI
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5th Roman Period Working Group Meeting of the International Council for Archaeozoology (ICAZ)
30 de junho a 3 de julho de 2026
FLUL

Mais informação e inscrições AQUI


Participações em Congressos, Colóquios e Conferências
Participation in Congresses, Meetings and Conferences

«The Bay of Lagos in Antiquity: the evidence from Monte Molião»
Palestra de Ana Margarida Arruda
3 de março | São Brás e Lagoa
Mesa Redonda "Ser Mulher Trabalhadora, Antes e Depois do 25 de Abril"
Participação de Ana Margarida Arruda
7 de março | Casa Sindical de Campanhã

«A Geofísica aplicada à Arqueologia: história, métodos e exemplos»
Aula Aberta/Conferência de Tiago do Pereiro
9 de março | Faculdade de Letras de Lisboa

Mulheres na arqueologia: (estrati)grafias 4 "Nos 50 anos da morte de Agatha Christie"
Participação de Catarina Costeira, Elsa Luis e Francisco B. Gomes
11 de março | Auditório Adriano Moreira

«A Necrópole do Bronze do Sudoeste de Casas Velhas (Grândola) e a construção de uma identidade cultural no Sudoeste Peninsular»
Conferência de Joaquina Soares e Carlos Tavares da Silva
11 de março | Academia Portuguesa da História e Online

Programa "Amigos à Conversa"
«O passado da Serra da Ota»

Entrevista a André Texugo
14 de março | Rádio Alta Tensão
Tertúlia: "Os primeiros Serviços Geológicos e a Academia das Ciências de Lisboa"
Participação de Carlos Fabião e João Luis Cardoso
19 de março | Academia das Ciências de Lisboa

Podcast "Histórias de Lisboa"
«Fenícios, os fundadores de Lisboa»

Entrevistas a Elisa de Sousa
20 de março | Online
Encontro "Nós do Tejo. Dos caçadores recoletores ao mundo romano"
Participação de Ana Margarida Arruda, Catarina Viegas, Elisa de Sousa e João Pimenta
21 de março | Casa do Brasil (Santarém)
«Sob a Rocha: metodologia e desafios da escavação de contextos do Paleolítico em ambiente cársico»
Aula aberta / Conferência de Luis Gomes
23 de março | Faculdade de Letras de Lisboa

Isto é Arqueologia! 2025/2026
Participação de Cleia Detry, Cristina Gameiro, Jorge de Juan Ares, Manuel Fialho Silva e Yasmina Cáceres Gutiérrez
25 de março | Faculdade de Letras de Lisboa

Provas Académicas
Academic Examinations

Tese de Doutoramento / PhD Thesis "Poder e Representação: O culto imperial na Hispânia (séc. III-IV d. C.)"
por/by Sara Carolina Henriques Ferreira dos Reis
14 de abril | 10h00 | Sala D. Pedro V da FLUL e Online (Teams)
Provas de Defesa de Projecto de Tese de Doutoramento em Arqueologia e Pré-história "Produção monetária na fachada atlântica da Península Ibérica até ao reinado de Augusto"
por/by Alice Ferreira Godinho Baeta
15 de abril | 10h00 | Online (Teams)
Tese de Doutoramento / PhD Thesis "Os meados do Iº Milénio a.C. no Baixo Ardila"
por/by Rui Manuel Gusmão Monge Soares

28 de abril | 10h30 | Sala D. Pedro V da FLUL e Online (Teams)

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