Editorial
Mariana Diniz, Directora da UNIARQ / UNIARQ Director
|
Começa Setembro, o mês do regresso às aulas, incontornável marco na vida académica e na vida de um centro de investigação que como a UNIARQ assume um papel decisivo na formação dos jovens estudantes e investigadores dos três ciclos de estudos que escolheram estudar Arqueologia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a melhor, e também maior, Universidade portuguesa.
As primeiras palavras de boas-vindas são assim para aqueles que agora chegam, em particular para os que aqui estão pela primeira vez, arqueólogos do futuro, a quem competirá preservar o corpo de práticas e de conhecimentos desta disciplina cientifica e ao mesmo tempo ampliar questionários, desenvolver técnicas e metodologias de trabalho, pensar cenários de actuação social que agora dificilmente concebemos. Neste regresso às aulas, possível a privilegiados representantes de um inverno demográfico, que só em parte pode justificar o baixo número de candidatos à Universidade, o que podem esperar os que aqui chegam? Espera-os a entrada num sistema cientifico, sempre sub-financiado e, com a anunciada extinção da Fundação para a Ciência e Tecnologia, em mudança para um novo cenário ainda não revelado, mas onde Ciência e Economia se combinam para gerar investigação e Inovação apontando para uma comercialização dos produtos da investigação que sendo fundamental, não pode, em nenhuma circunstância, como sublinham os cientistas desde Augusto Comte, constituir-se enquanto eixo fundamental do sistema. O Conhecimento produzido deve obrigatoriamente contribuir para a construção de um presente e de um futuro melhor, mais justo, mais inclusivo, mais sustentável, mas o desejo de saber, impulso fundamental que nos anima e que está na base da criação, do pensamento critico, daquilo que, por fim, nos torna humanos, é, por definição, livre e infinito. Porque é a este mundo de incessante curiosidade, das perguntas que nunca acabam e que se renovam a partir das respostas obtidas, dos instrumentos que se aperfeiçoam, e dos protocolos que se optimizam que chegam os nossos novos, e antigos, estudantes, cuja natural inteligência os protege do espectro de uma Inteligência Artificial mal utilizada. Espera-os ainda, na Faculdade de Letras, um novo Edifício, espera-os na UNIARQ, instalações renovadas, metáforas arquitectónicas dos novos projectos, dos novos estudantes de doutoramento e dos novos investigadores que terão o Centro de Arqueologia como instituição de acolhimento. Espera-os, sobretudo, um dos mais extraordinários percursos que a Ciência permite, aceder a partir da Arqueologia à jornada longa da Humanidade, reconstruída a partir dos objectos e dos lugares que dela restam, do impacto que esta produz no ambiente e da forma que este a condiciona, das consequências do crescimento demográfico e da complexificação e desigualdade social, das incontáveis migrações físicas e culturais, miscigenações físicas e culturais, extinções físicas e culturais que constituem o registo arqueológico, numa dimensão de espaço e de tempo que coincide com a das sociedades humanas. E é desta observação do Tempo longo e da imensidade de experiências que marca este trajecto que, como cientistas sociais, nos equipamos para pensar e construir um novo Futuro tão necessariamente utópico como é, em cada ano, o regresso às aulas. |
September marks the beginning of a new academic year, an unavoidable milestone both in academic life and in the life of a research centre such as UNIARQ, which plays a decisive role in training young students and researchers across the three study cycles of Archaeology at the School of Arts and Humanities of the University of Lisbon, the best university in Portugal.
Our first words of welcome are thus for those who are joining us now — especially those arriving for the very first time. They are the archaeologists of the future, who will be tasked with preserving the body of practices and knowledge of this scientific discipline, while at the same time broadening research questions, developing new methods and techniques, and imagining forms of social engagement that today we can scarcely conceive. This return to classes takes place against the backdrop of a “demographic winter,” which partly explains the low number of applicants to higher education. So, what can newcomers expect when they arrive here? They will find a scientific system chronically underfunded, and — following the announced dissolution of the Foundation for Science and Technology — moving towards an as-yet-undefined framework where science and the economy are expected to work together to generate research and innovation. While the commercialization of research outcomes is undoubtedly mandatory, it cannot, as scholars since Auguste Comte have insisted, become the central axis of the system. Knowledge must always serve the building of a better present and future — fairer, more inclusive, more sustainable. Yet the pursuit of knowledge itself, the fundamental impulse that drives us, that grounds creation and critical thought, and that ultimately makes us human, is by definition free and boundless. It is into this world of unceasing curiosity, of questions that never end, of answers that spark new inquiries, of ever-refined tools and optimized protocols, that our students, new and returning, now step. Their natural intelligence, we trust, will safeguard them from the risks of a poorly used Artificial Intelligence. They will also encounter, at the School of Arts and Humanities, a new building, and at UNIARQ, refurbished facilities — architectural metaphors for fresh projects, new doctoral candidates, and new researchers who will find in the Centre for Archaeology a host institution. Above all, what awaits them is one of the most remarkable journeys that science makes possible: to explore, through Archaeology, the long history of humanity. This is a history reconstructed from the objects and places that remain, from the impact of human presence on the environment and the ways in which it has shaped us, from the consequences of demographic growth and social inequality, from countless migrations, cultural exchanges, and extinctions — physical and cultural — that make up the archaeological record, unfolding across the same space and time that define human societies. And it is by contemplating this vastness of time and the immense variety of human experience that we, as social scientists, equip ourselves to imagine and to build a new future, necessarily as utopian as the return to school itself, renewed each and every year. |
NOTÍCIAS / NEWS
|
Ana Catarina Sousa reconduzida no cargo de Vice-Presidente do Património Cultural, I.P.
É com justificada satisfação que a UNIARQ vem, mais uma vez, dar os parabéns e desejar os maiores sucessos a Ana Catarina Sousa, Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Investigadora Integrada da UNIARQ, reconduzida, pela excelência do trabalho desenvolvido, como Vice-Presidente do Património Cultural, IP.
Num momento em que a intensificação económica transforma de forma brutal as paisagens rurais e as paisagens urbanas, quando o património cultural, e em particular o património arqueológico, muitas vezes a variável mais frágil na equação dos poderes, exige medidas concretas e planos de conjunto, a experiência alargada de Ana Catarina Sousa, na Administração e na Universidade equipa-a para enfrentar estes desafios pelos próximos cinco anos. Parabéns, mais uma vez! |
Ana Catarina Sousa reappointed as Vice-President of Património Cultural, I.P.
It is with great pleasure that UNIARQ once again congratulates and wishes the greatest success to Ana Catarina Sousa, Professor at the School of Arts and Humanities of the University of Lisbon, and Integrated Researcher at UNIARQ, who has been reappointed, thanks to the excellence of her work, as Vice-President of the Directorate-General for Cultural Heritage (Património Cultural, IP).
At a time when economic intensification is dramatically transforming both rural and urban landscapes, when cultural heritage, and particularly archaeological heritage, often the most fragile variable in the equation of power, requires concrete measures and comprehensive planning, Ana Catarina Sousa’s broad experience in both administration and academia equips her to meet these challenges over the next five years. Congratulations, once again! |
INVESTIGAÇÃO NA UNIARQ
RESEARCH AT UNIARQ
RESEARCH AT UNIARQ
CAMPANHAS DE VERÃO
SUMMER CAMPAIGNS
SUMMER CAMPAIGNS
|
Iniciaram-se, em junho, as campanhas de investigação de campo e de laboratório dos investigadores da UNIARQ, que se prolongarão até ao mês de setembro.
|
Field and lab research campaigns by UNIARQ researchers began in June and will continue until September.
|
|
CAMPO / FIELD
1. Penascosa (Vila Nova de Foz Côa). Paleolítico. Projecto CÔA3P: Paleogeografia, Paleoclimatologia e Paletnologia do Côa e territórios envolventes. Thierry Aubry e Miguel Almeida
2. Olga Grande 4 (Vila Nova de Foz Côa). Paleolítico. Projecto CÔA3P: Paleogeografia, Paleoclimatologia e Paletnologia do Côa e territórios envolventes. Thierry Aubry e Miguel Almeida
3. Abrigo da Gruta da Buraca da Moira (Leiria). Do Calcolítico ao Gravetense Médio. Projecto EcoPLis - Ecótonos Plistocénicos na Bacia do Rio Lis. Telmo Pereira
4. Abrigo da Senhora das Lapas (Tomar). Paleolítico Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Luis Gomes, Mariana Nabais, Filipa Rodrigues e Alexandre Varanda
5. Gruta do Caldeirão (Tomar). Paleolítico Médio/Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Luis Gomes, Mariana Nabais e Alexandre Varanda
6. Gruta 3 da Curva da Bezelga - Lapa Escura (Torres Novas). Paleolítico Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Maria Melo, Filipa Rodrigues e Luís Gomes
7. Gruta do Aderno (Torres Novas). Paleolítico Inferior. Projecto Arqueologia e evolução dos primeiros humanos na fachada atlântica da Península Ibérica (ARQEVO 2). Henrique Matias, John Willman e João Zilhão
8. Lapa da Bugalheira (Torres Novas). Neolítico Antigo e Médio. Projecto ARQEVO: Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da Península Ibérica. Filipa Rodrigues e João Zilhão
9. Villa Cardílio (Torres Novas). Romano. Projecto Villa Cardílio: a romanização da bacia hidrográfica do Almonda. Victor Filipe
10. Cidade Romana de Ammaia (Marvão). Romano e Antiguidade Tardia. Projecto CRA Ludi. Anfiteatro da cidade romana de Ammaia. Carlos Fabião, Amílcar Guerra e Catarina Viegas
11. Povoado de Vila Nova de São Pedro (Azambuja). Calcolítico. Projecto Vila Nova de São Pedro, de novo no 3º milénio - VNSP3000. Mariana Diniz e César Neves
12. Bacia de Rio Maior (Vila Nova de São Pedro). Projecto MOBlades - Proveniência da matéria-prima das lâminas como indicador da mobilidade humana ao longo do Calcolítico do SW da Península Ibérica. Patrícia Jordão
13. Vale do Forno 8 (Alpiarça). Paleolítico Inferior. Projecto O tecno-complexo Acheulense no ocidente europeu: caracterização e variabilidade das indústrias acheulenses da vertente atlântica da Península Ibérica. Carlos Ferreira, João Pedro Cunha-Ribeiro e Eduardo Méndez-Quintas
14. Alto da Vigia (Sintra). Romano e Medieval Islâmico. Projecto Alto da Vigia: Santuário Romano Astral e Ribat de Alconchel. Alexandre Gonçalves
19. Castelo Velho de Safara (Moura). Calcolítico, Idade do Ferro, Romano Republicano. Projecto FOMEGA II. Mariana Nabais, Margarida Figueiredo e Rui Monge Soares
20. Ciudad de Vascos (Toledo, Espanha). Andalusi (Ss. IX-XI). Projecto Intervenciones arqueológicas en Ciudad de Vascos (2025). Jorge de Juan Ares
21. Gruta da Sassa (Sumbe, Província do Cuanza Sul) e Gruta do Tchivinguiro (Humpata, Província da Huíla). Angola. Idade da Pedra. Projecto PaleoLeba. Daniela de Matos
22. Trabalho de campo com as mulheres ceramistas de Apiaí (Apiaí, Brasil). Arqueologia Histórica. Projecto Gênero, Memórias e Materialidades da Interação/Confluência: Mulheres Indígenas e Afrodescendentes na Arqueologia Histórica de São Paulo. Marianne Sallum e Francisco Silva Noelli
23. Trabalho de campo com comunidades Caiçaras da Ilha do Guarujá (Guarujá – Brasil). Arqueologia Histórica. Projecto Gênero, Memórias e Materialidades da Interação/Confluência: Mulheres Indígenas e Afrodescendentes na Arqueologia Histórica de São Paulo. Francisco Silva Noelli e Marianne Sallum
|
LABORATÓRIO / LAB
3. Abrigo da Gruta da Buraca da Moira (Leiria). Do Calcolítico ao Gravetense Médio. Projecto EcoPLis - Ecótonos Plistocénicos na Bacia do Rio Lis. Telmo Pereira
4. Abrigo da Senhora das Lapas (Tomar). Paleolítico Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Luis Gomes, Mariana Nabais, Filipa Rodrigues e Alexandre Varanda
5. Gruta do Caldeirão (Tomar). Paleolítico Médio/Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Luis Gomes, Mariana Nabais e Alexandre Varanda
6. Gruta 3 da Curva da Bezelga - Lapa Escura (Torres Novas). Paleolítico Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Maria Melo, Filipa Rodrigues e Luís Gomes
7. Gruta do Aderno (Torres Novas). Paleolítico Inferior. Projecto Arqueologia e evolução dos primeiros humanos na fachada atlântica da Península Ibérica (ARQEVO 2). Henrique Matias, John Willman e João Zilhão
8. Lapa da Bugalheira (Torres Novas). Neolítico Antigo e Médio. Projecto ARQEVO: Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da Península Ibérica. Filipa Rodrigues e João Zilhão
9. Villa Cardílio (Torres Novas). Romano. Projecto Villa Cardílio: a romanização da bacia hidrográfica do Almonda. Victor Filipe
10. Cidade Romana de Ammaia (Marvão). Romano e Antiguidade Tardia. Projecto CRA Ludi. Anfiteatro da cidade romana de Ammaia. Carlos Fabião, Amílcar Guerra e Catarina Viegas
11. Povoado de Vila Nova de São Pedro (Azambuja). Calcolítico. Projecto Vila Nova de São Pedro, de novo no 3º milénio - VNSP3000. Mariana Diniz e César Neves
12. Bacia de Rio Maior (Vila Nova de São Pedro). Projecto MOBlades - Proveniência da matéria-prima das lâminas como indicador da mobilidade humana ao longo do Calcolítico do SW da Península Ibérica. Patrícia Jordão
13. Vale do Forno 8 (Alpiarça). Paleolítico Inferior. Projecto O tecno-complexo Acheulense no ocidente europeu: caracterização e variabilidade das indústrias acheulenses da vertente atlântica da Península Ibérica. Carlos Ferreira, João Pedro Cunha-Ribeiro e Eduardo Méndez-Quintas
14. Alto da Vigia (Sintra). Romano e Medieval Islâmico. Projecto Alto da Vigia: Santuário Romano Astral e Ribat de Alconchel. Alexandre Gonçalves;
15. Laboratório de Processos Costeiros / FCUL. Últimos 500 anos. Projecto ECOFREEDOM - Ecologia da liberdade: Materialidades da escravidão e Pós-Emancipação no Mundo Atlântico. Ana Costa
16. Laboratório de inventário e catalogação de Capambonge Velho / FLUL. Idade da Pedra Inferior e Média. Projecto ARQMEM. João Pedro Cunha-Ribeiro e Paula Nascimento
17. Laboratório Casal Leitão / LARC. Mesolítico Antigo. Projecto Estruturas mesolíticas de Casal Leitão. Ana Cristina Araújo
18. Laboratório Abrigo do Lagar Velho / LARC. Paleolítico Superior. Projecto Testemunho Pendurado do Abrigo do Lagar Velho. Ana Cristina Araújo
20. Ciudad de Vascos (Toledo, Espanha). Andalusi (Ss. IX-XI). Projecto Intervenciones arqueológicas en Ciudad de Vascos (2025). Jorge de Juan Ares
|
|
Lapa da Bugalheira (Torres Novas)
Os trabalhos que se iniciaram na Lapa da Bugalheira em 2019, ao abrigo do projeto "ARQEVO - Arqueologia e Evolução dos primeiros humanos na fachada atlântica Península Ibérica" (PTDC/ HAR-ARQ/30413/2017), expuseram uma ocupação cronologicamente enquadrada no Neolítico Antigo, à qual estão associados restos humanos, fauna mamalógica e malacológica, cerâmica cardial e impressa, indústria lítica (e.g. lamelas) e adornos pessoais (Rodrigues et al., 2019).
Dando continuidade aos trabalhos executados em 2024, a campanha deste ano incide no alargamento da escavação para a área anteriormente escavada por Afonso do Paço, de forma a averiguar se a necrópole cardial se estende para a entrada da cavidade ou se, pelo contrário, os vestígios identificados desde 2019 têm origem num cone de sedimentos provenientes de uma galeria interior situada a Oeste. Esta intervenção é dirigida por investigadores da UNIARQ, associados da Paleoalmonda – Associação de Estudos Científicos e da STEA - Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia. Nela participam, em regime de formação, estudantes da Licenciatura e Mestrado em Arqueologia da FLUL e Universidade de Edimburgo.
Esta escavação conta com os apoios do Município de Torres Novas e da Renova, S.A. |
Lapa da Bugalheira (Torres Novas)
Excavations at Lapa da Bugalheira began in 2019, within the framework of the project ARQEVO – Archaeology and Evolution of the First Humans on the Atlantic façade of the Iberian Peninsula (PTDC/ HAR-ARQ/30413/2017). This work has revealed an Early Neolithic occupation, associated with human remains, mammalian and molluscan fauna, impressed and Cardial pottery, lithic tools (e.g. bladelets), and personal ornaments (Rodrigues et al., 2019).
Building upon the excavation carried out in 2024, this year’s campaign focuses on extending the excavation to the area previously explored by Afonso do Paço. The aim is to determine whether the Cardial necropolis extends towards the cave entrance or, alternatively, whether the remains identified since 2019 derive from a cone of sediments originating in an inner gallery located to the west.
The intervention is led by researchers from UNIARQ, in collaboration with Paleoalmonda – Association for Scientific Studies, and STEA – Torrejana Society of Speleology and Archaeology. Training opportunities are provided for undergraduate and Master’s students in Archaeology from both the School of Arts and Humanities, University of Lisbon, and the University of Edinburgh. The excavation is supported by the Municipality of Torres Novas and Renova, S.A. |
|
Castelo Velho de Safara (Moura)
Durante os meses de Julho e Agosto de 2025, decorreu a décima campanha de escavação arqueológica no Castelo Velho de Safara, dirigida por Mariana Nabais e Rui Monge Soares, membros da UNIARQ e em parceria com a escola de verão South-West Archaeology Digs (SWAD). Os trabalhos contaram com a participação de vários voluntários de universidades Australianas, dos Estados Unidos da América, Canadá, África do Sul e Inglaterra, destacando a dimensão internacional e o envolvimento de jovens investigadores no estudo e preservação do património arqueológico português.
O Castelo Velho de Safara localiza-se num esporão rochoso na confluência da ribeira de Safareja com o rio Ardila, no concelho de Moura. Consiste num povoado fortificado, caracterizado por uma densa muralha em xisto e por três linhas de fossos paralelos que a rodeiam. Até ao momento foram confirmadas três ocupações distintas, datadas do Calcolítico, da segunda Idade do Ferro e de época Romana Republicana.
Os trabalhos de escavação sistemática iniciaram-se em Junho de 2018, tendo, desde então, sido abertas seis sondagens. A campanha deste verão focou-se na área residencial do sítio, correspondente à actual sondagem 5. Os trabalhos permitiram revelar novos compartimentos em duas habitações já conhecidas e revelaram a presença de uma terceira habitação até agora não documentada, enriquecendo a compreensão da ocupação do local. Todos os níveis intervencionados nesta campanha pertencem à época Romana Republicana, confirmando o padrão identificado em campanhas anteriores, que demonstrou como estes estratos se encontram sobre níveis da segunda Idade do Ferro. Esta sequência estratigráfica reforça a importância do Castelo Velho de Safara para compreensão da segunda metade do 1º milénio a.C. no território interior do sudoeste peninsular. |
Castelo Velho de Safara (Moura)
During July and August 2025, took place the tenth archaeological excavation campaign at Castelo Velho de Safara, directed by Mariana Nabais and Rui Monge Soares, members of UNIARQ, in collaboration with the South-West Archaeology Digs (SWAD) summer school. The project brought together volunteers from universities in Australia, the United States, Canada, South Africa, and England, highlighting both its international scope and the involvement of young researchers in the study and preservation of Portuguese archaeological heritage. Castelo Velho de Safara is located on a rocky spur where the Safareja stream meets the Ardila River, in the municipality of Moura. It is a fortified settlement, defined by a massive schist wall and three parallel defensive ditches. Excavations have so far confirmed three distinct phases of occupation: the Chalcolithic, the Second Iron Age, and the Roman Republican period.
Systematic excavations began in June 2018, and six trenches have been opened since then. This summer’s campaign focused on the residential area of the site, known as Trench 5. The work uncovered new rooms in two already known dwellings and revealed a third dwelling that had not been documented until now, shedding new light on how the settlement was occupied. All the layers excavated this season belong to the Roman Republican period, confirming patterns identified in previous years, where these levels overlay those from the Second Iron Age. This stratigraphic sequence reinforces the importance of Castelo Velho de Safara for understanding the second half of the 1st millennium BC in the inland regions of the southwestern Iberian Peninsula. |
|
Villa Cardílio (Torres Novas)
Entre os dias 23 de junho e 1 de agosto decorreu mais uma campanha de escavação arqueológica na villa romana de Cardílio, a quinta desde o início do projecto “Villa Cardílio e a romanização da bacia hidrográfica do Almonda”, enquadrado nas acções de investigação da UNIARQ.
Como habitualmente, contámos com o apoio logístico e financeiro do Município de Torres Novas e com a participação dos alunos de Licenciatura e Mestrado em Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, bem como de voluntários do Concelho. Dando continuidade aos trabalhos desenvolvidos no ano anterior, foi alargada a área de escavação situada a nascente da domus, colocando-se a descoberto os alicerces de um grande edifício, provavelmente um armazém da pars fructuaria, com cerca de 22 m de comprimento. Selando os depósitos de abandono deste edifício, foi documentado um nível de incêndio associado a um pavimento de terra batida de um edifício mais tardio, em muito mau estado de conservação e que parece corresponder à última ocupação daquele espaço. Com a continuidade dos trabalhos de escavação procurar-se-á registar o perímetro do edifício mais antigo e proceder à sua correcta caracterização funcional, bem como averiguar da existência de outras estruturas associadas.
Refira-se ainda que no dia 14 de julho foi assinalado em simultâneo o recente restauro do ninfeu da domus e os quatro anos do projecto de villa Cardílio, tendo marcado presença a directora e subdirectora da UNIARQ, Mariana Diniz e Cleia Detry, o professor Carlos Fabião, o director do Departamento de Intervenção Territorial do Município de Torres Novas, Nuno Valente, e Romão Ramos, igualmente investigador do projecto. |
Villa Cardílio (Torres Novas)
Between 23 June and 1 August, a new archaeological excavation campaign took place at the Roman villa of Cardílio. This was the fifth campaign carried out within the framework of the project “Villa Cardílio and the Romanisation of the Almonda River Basin”, part of UNIARQ’s research programme.
As in previous years, the initiative was made possible thanks to the logistical and financial support of the Municipality of Torres Novas, as well as the involvement of undergraduate and master’s students in Archaeology from the School of Arts and Humanities of the University of Lisbon, together with local volunteers. Building on the work undertaken last year, the excavation area to the east of the domus was expanded, revealing the foundations of a large structure, likely a storage area (pars fructuaria), around 22 metres long. Covering the abandonment layers of this building, archaeologists identified traces of a fire, associated with the floor of a later and poorly preserved construction, which seems to represent the final occupation of that space. Future work will focus on defining the full perimeter of the earlier building, clarifying its function, and investigating other related structures.
On 14 July, the recently completed restoration of the domus nymphaeum was officially marked, alongside the celebration of the fourth anniversary of the Villa Cardílio project. The event was attended by UNIARQ’s Director and Deputy Director, Mariana Diniz and Cleia Detry, Professor Carlos Fabião, the Director of the Department of Territorial Intervention of the Municipality of Torres Novas, Nuno Valente, and Romão Ramos, also a member of the project team. |
|
Alunos de Arqueologia da FLUL no Laboratório de Arqueociências (LARC) do PC, IP
Durante o mês de agosto, o LARC contou com a preciosa ajuda de estudantes de licenciatura e mestrado em Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que colaboraram em diversas tarefas relacionadas com a investigação arqueológica de sítios pré-históricos em processo de estudo: Casal Leitão (Mesolítico Antigo) e Abrigo do Lagar Velho (Paleolítico Superior). Da flutuação de sedimentos, à triagem de material, os estudantes tomaram contacto com as diferentes componentes do registo arqueológico, familiarizando-se, paralelamente, com as distintas áreas disciplinares que operam no nosso laboratório e com os recursos de investigação que apoiam as nossas pesquisas. Destaque para a dedicação incansável da Diana, da Dinora, do Afonso e do Sean, alunos de licenciatura, e da Laura e da Victória, alunas de mestrado, que responderam sempre de forma entusiástica e muito responsável a todos os desafios. Agosto passou mais rápido e melhor! Foi um privilégio tê-los connosco!
|
Archaeology Students from SAH at the Archaeosciences Laboratory (LARC), PC, IP
During August, LARC had the pleasure of welcoming undergraduate and master’s students in Archaeology from the School of Arts and Humanities, University of Lisbon. They contributed to a range of tasks linked to the archaeological research of prehistoric sites currently under study: Casal Leitão (Early Mesolithic) and the Lagar Velho Rock Shelter (Upper Palaeolithic). From sediment flotation to sorting finds, the students engaged directly with the different elements of the archaeological record, while also becoming familiar with the various disciplines represented in our laboratory and the research resources that support our work. Special mention must be made of the tireless dedication of Diana, Dinora, Afonso and Sean, undergraduate students, and Laura and Victória, master's students, who always responded enthusiastically and responsibly to every challenge.. August flew by in the best possible way – it was a privilege to have them with us!
|
INVESTIGADOR VISITANTE NA UNIARQ
VISITING RESEARCHER AT UNIARQ
VISITING RESEARCHER AT UNIARQ
Ricardo Basso Rial (Universidad de Granada)
|
Ricardo E. Basso Rial, investigador pós-doutoral do Departamento de Pré-História da Universidade de Granada, realizou, durante os meses de julho e agosto, uma estadia de investigação na UNIARQ. Especialista na Idade do Bronze e nas comunidades camponesas da Pré-História recente, a sua principal linha de investigação centra-se no estudo da produção e do consumo de têxteis na Península Ibérica, desde as suas origens no Neolítico até à Idade do Ferro Antiga.
A estadia de investigação permitiu a sua participação no projeto exploratório TransTexTec – Em busca de transições nas tecnologias e economias têxteis no longo II milénio a.n.e. (2200–700 a.n.e.): o Sul do território português como caso de estudo, dirigido por Francisco B. Gomes e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Neste âmbito, procedeu-se à consulta de materiais arqueológicos da Idade do Bronze provenientes de diversos sítios do Sul de Portugal associados à produção têxtil. Entre os principais objetivos da investigação destaca-se a análise e a comparação do desenvolvimento da produção têxtil e do instrumental utilizado durante a Idade do Bronze em Portugal com outros territórios peninsulares, como o Sudeste e o Levante. |
Ricardo E. Basso Rial, a postdoctoral researcher in the Department of Prehistory at the University of Granada, spent July and August on a research stay at UNIARQ. A specialist in the Bronze Age and in farming communities of later Prehistory, his main research focuses on the production and use of textiles in the Iberian Peninsula, from their origins in the Neolithic through to the Early Iron Age.
During his stay, he took part in the exploratory project TransTexTec – In search of transitions in textile technologies and economies in the long 2nd millennium BCE (2200–700 BCE): southern Portugal as a case study, coordinated by Francisco B. Gomes and funded by the Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). As part of this work, he examined Bronze Age archaeological materials from several sites in southern Portugal connected with textile production. One of the main aims of his research is to analyse and compare textile production and the tools used in Bronze Age Portugal with those found in other parts of the Iberian Peninsula, such as the Southeast and the Levant. |
Ricardo Basso Rial; Tradução revista por Bianca Viseu
PEÇA DO MÊS
ARTEFACT OF THE MONTH
ARTEFACT OF THE MONTH
|
Ânfora romana do tipo Ovoide 1, produzida no vale do Guadalquivir
Proveniência: Ambiente XIII do Sector B 3 de Mesas do Castelinho (Almodôvar)
CNS 4263 / IPA.00000964 https://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=visitaveis&subsid=55464 http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=964 Cronologia: meados do século I a.C. Direcção dos trabalhos: Carlos Fabião; Amílcar Guerra; Susana Estrela Descrição: Fragmento de bordo, colo e asa de uma ânfora do tipo Ovoide 1, produzida no vale do Guadalquivir. O bordo é curto e arredondado e imediatamente abaixo uma saliência bem marcada acompanha todo o diâmetro do colo, constituindo um emblemático identificador destas ânforas, possibilitando classificação segura, mesmo quando se dispõe apenas de um fragmento de bordo e arranque de colo. A pasta bege com abundante desengordurante arenoso de variado calibre e composição geológica é típica das produções cerâmicas do vale do Guadalquivir. O colo é curto com cerca de 10 cm de altura e as asas, em fita, curvas, com marcados sulcos no dorso, partem do topo do colo, por baixo da referida saliência, para se fixarem na parte superior do corpo da ânfora, com uma profunda digitação na base, associada à sua fixação. No colo há um grafito pós cozedura, aparentemente incompleto, que poderá ser um numeral VII. Estes grafitos de numerais, incisos pós cozedura, são conhecidos em colos ou no início do corpo de ânforas Ovoide 1, embora se desconheça o propósito e significado dos mesmos. Comentário: As ânforas deste tipo estavam de há longa data registadas em contextos arqueológicos da Península Itálica, Norte de África e Península Ibérica, embora sempre em número relativamente reduzido, não suscitando particular atenção dos investigadores que registaram a sua presença. Foi somente no estudo do conjunto de ânforas do estabelecimento militar romano da Lomba do Canho, Arganil, onde constituíam o tipo mais representado, que foram individualizadas (Fabião, 1989). Na época, era recente a publicação do trabalho de David Peacock e David Williams que estabeleceu um novo princípio de classificação para as ânforas romanas baseado na conjugação da morfologia com as características petrográficas das suas pastas, definindo uma sequência de Classes (Peacock; Williams, 1986). Por este razão Carlos Fabião classificou esta ânfora como Classe 67, por se tratar de uma forma de ânfora não individualizada anteriormente e do número sequencial da classificação dos investigadores britânicos terminar na Classe 66. A proposta seguia a tradição dos estudos das ânforas romanas, que remontava aos trabalhos de H. Dressel e à tabela de formas que publicou no volume XV do Corpus Inscriptionum Latinarum (CIL) posteriormente acrescentada em ordem sequencial por outros autores, como Martin Almagro. A proposta era manifestamente ingénua, na medida em que outros investigadores poderiam seguir o mesmo método e multiplicar classificações análogas para ânforas distintas. Diga-se que por essa altura Jean Boube classificou como Sala nº 1 esta mesma forma, a partir dos exemplares identificados naquele sítio norte-africano (Boube, 1986-1987). Por incompreensão da proposta de Fabião, esta ânfora passou a ser designada como Lomba do Canho 67 (ou LC 67), seguindo aliás uma outra tradição de classificação de ânforas romanas nascida nos estudos dos estabelecimentos militares do limes germânico, mas com outro sentido, por exemplo, a ânfora hoje conhecida pela designação de Haltern 70 corresponde ao número 70 da tipologia de formas cerâmicas daquele sítio romano. Não era o caso dos exemplares da Lomba do Canho.
As ânforas ovoides da Hispania constituem um momento importante e breve da “romanização” dos contentores cerâmicos para transporte de alimentos de produção peninsular. O processo tem uma primeira etapa em que são reproduzidas as morfologias das ânforas itálicas, claramente distintas da tradição de fabrico de ânforas peninsulares, e um segundo momento, datável do século I a.C., em que se começam a fabricar ânforas ovoides de distintos tipos, remotamente inspiradas em formas itálicas, mas de marcada singularidade. No complexo universo das ânforas Ovoides hispânicas, a Ovoide 1 parece ter sido o modelo mais bem-sucedido, mais extensamente produzido e difundido na fase final do período republicano, imediatamente antes de uma nova etapa de “romanização” dos contentores peninsulares, nos inícios do Principado. Até à data, não há dados concretos sobre o produto que este tipo de ânfora transportaria, embora se admita a possibilidade de se tratar de vinho ou azeite por não ser contentor saído das olarias do litoral. Também não sabemos se o princípio que vigorou no universo das ânforas romanas, de haver correspondência entre forma e conteúdo, se verificava neste momento algo precoce de “romanização” das ânforas peninsulares ou se, pelo contrário, seria contentor indiferenciado que podia transportar diferentes produtos. Este exemplar de Mesas do Castelinho foi recolhido, com outros análogos, em contexto dos meados do século I a.C., provavelmente, ainda dos finais da primeira metade desta centúria quando estas ânforas começaram a ser fabricadas e difundidas, em etapa imediatamente após o final do conflito sertoriano. A sua distribuição no ocidente da Península Ibérica é francamente robusta e atravessa a segunda metade do século I a.C., não parece ter continuado a ser fabricada e difundida no Principado. * Com vantagem, o leitor interessado poderá consultar a base de dados sobre ânforas romanas, construída a partir do livro de Peacock e Williams:
https://archaeologydataservice.ac.uk/archives/view/amphora_ahrb_2005/index.cfm Não encontrará ali uma entrada para o tipo Ovoide 1, que deverá procurar aqui: https://amphorae.icac.cat/ |
Roman amphora of the Ovoid 1 type, produced in the Guadalquivir Valley
Provenance: Environment XIII, Sector B 3 of Mesas do Castelinho (Almodôvar)
CNS 4263 / IPA.00000964 https://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=visitaveis&subsid=55464 http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=964 Chronology: Mid-1st century BC Excavation Directors: Carlos Fabião; Amílcar Guerra; Susana Estrela Description: Rim, neck, and handle fragment of an amphora of the Ovoid 1 type, produced in the Guadalquivir Valley. The rim is short and rounded, and immediately below it, a well-defined ridge encircles the entire diameter of the neck constituting an emblematic identifier of these amphorae, enabling reliable classification even when only a fragment of the rim and neck base is available The fabric is beige with abundant sand-tempered inclusions of varied grain size and geological composition, typical of ceramic production from the Guadalquivir Valley. The neck is short, approximately 10 cm high, and the ribbon-shaped, curved handles with deep grooves on the back originate at the top of the neck, just beneath the ridge, and are attached to the upper part of the amphora body, with a deep indentation at the base associated with their fixing. There is a post-firing graffito on the neck, apparently incomplete, which may represent the numeral VII. Such post-firing incised numerals are known on the necks or upper bodies of Ovoid 1 amphorae, although their purpose and meaning remain unclear. Commentary: Amphorae of this type have long been recorded in archaeological contexts in the Italian Peninsula, North Africa, and the Iberian Peninsula, although always in relatively small numbers and without attracting much attention from scholars.
It was only during the study of the amphora assemblage from the Roman military establishment at Lomba do Canho, Arganil – where they represented the most frequent type – that they were identified as a distinct form (Fabião, 1989). At the time, David Peacock and David Williams had recently published their work establishing a new classification principle for Roman amphorae based on the combination of morphology and the petrographic characteristics of the clay, defining a sequence of classes (Peacock & Williams, 1986). Based on this system, Carlos Fabião classified this amphora as Class 67, as it represented a form not previously defined and because the British sequence ended at Class 66. This followed the tradition of Roman amphora studies tracing back to H. Dressel and his typological table published in volume XV of the Corpus Inscriptionum Latinarum (CIL), later extended sequentially by other authors such as Martin Almagro. The proposal was clearly naive, in that other researchers could follow the same method and multiply similar classifications for different amphorae. Around the same time, Jean Boube classified this same form as Sala No. 1, based on examples found at that North African site (Boube, 1986-1987). Due to a misunderstanding of Fabião’s proposal, this amphora type came to be known as Lomba do Canho 67 (or LC 67), following another tradition in Roman amphora typology that arose from the study of military sites along the Germanic limes. However, that tradition had a different logic – for example, the amphora now known as Haltern 70 corresponds to Form 70 in the ceramic typology of that Roman site. That was not the case with the Lomba do Canho examples. The ovoid amphorae of Hispania represent an important, albeit brief, phase in the “Romanisation” of ceramic containers used for transporting foodstuffs produced on the Iberian Peninsula. The process began with the reproduction of the morphologies of Italic amphorae, clearly distinct from the peninsular tradition of amphora manufacturing, and continued with a second phase, dating from the 1st century BC, when ovoid amphorae of different types began to be produced remotely, inspired by Italic forms but with a marked singularity.
In the complex world of Hispanic Ovoid amphorae, the Ovoid 1 type seems to have been the most successful, widely produced and distributed during the final phase of the Republican period, immediately preceding a new stage of “Romanisation” of peninsular containers at the start of the Principate. To date, there is no definitive evidence regarding the contents transported in this amphora type, though wine or olive oil are possibilities, particularly given its inland origin. It is also unknown whether the principle – typical in the Roman amphorae universe – of a consistent correspondence between form and content applied this early in the “Romanisation” of Iberian amphorae, or whether it was instead a more generic container used for multiple products. This specimen from Mesas do Castelinho was found, along with other similar items, in a context dating to the mid-1st century BC – probably towards the end of the first half of this century – when these amphorae began to be produced and distributed shortly after the end of the Sertorian War. Its distribution across western Iberia is quite robust and spans the second half of the 1st century BC, but it does not appear to have continued to be manufactured and distributed in the Principate. * Interested readers are encouraged to consult the database on Roman amphorae, developed from the book by Peacock and Williams:
https://archaeologydataservice.ac.uk/archives/view/amphora_ahrb_2005/index.cfm There is no entry for the Ovoid 1 type there, which should instead be searched for here: https://amphorae.icac.cat/ |
Bibliografia/Bibliography:
Boube J. (1987-1988), Les amphores de Sala à l’époque maurétanienne, Bulletin d’Archéologie Marocaine (BAM), XVII, p.183-207
https://insap.ac.ma/publication/contenu?id=36109&tome_edition=36109
CIL XV
https://archive.org/details/bub_gb_anE_AQAAMAAJ/page/n513/mode/2up?view=theater
Fabião, C. (1989) Sobre as ânforas do acampamento romano da Lomba do Canho (Arganil). Lisboa: UNIARQ.
https://repositorio.ulisboa.pt/handle/10451/9777
Garcia Vargas, E.; González Cesteros, H.; Almeida, R. R. (2011) Los tipos anfóricos del Guadalquivir en el marco de los envases hispanos del siglo I A.C. un universo heterogéneo entre la imitación y la estandarización, Spal, 20, p. 185-283.
https://revistascientificas.us.es/index.php/spal/article/download/9185/13761?inline=1
Garcia Vargas, E.; González Cesteros, H.; Almeida, R. R. (2019) Ovoid amphorae as the first Roman provincial repertoire in Hispania Ulterior (the Guadalquivir valley). Garcia Vargas, E.; Almeida, R. R.; González Cesteros, H.; Saéz Romero, A. M. (eds) The Ovoid Amphorae in the Central and Western Mediterranean. Between the last two centuries of the Republic and the early days of Roman Empire. Oxford: Archaeopress, p. 62-111.
(51) Ovoid amphorae as the first Roman provincial repertoire in Hispania Ulterior (the Guadalquivir Valley)
Peacock, D. P. S.; Williams, D. F. (1986) Amphorae and the Roman economy.London / New York: Longman
https://archive.org/details/amphoraeromaneco0000peac/page/n5/mode/2up
Boube J. (1987-1988), Les amphores de Sala à l’époque maurétanienne, Bulletin d’Archéologie Marocaine (BAM), XVII, p.183-207
https://insap.ac.ma/publication/contenu?id=36109&tome_edition=36109
CIL XV
https://archive.org/details/bub_gb_anE_AQAAMAAJ/page/n513/mode/2up?view=theater
Fabião, C. (1989) Sobre as ânforas do acampamento romano da Lomba do Canho (Arganil). Lisboa: UNIARQ.
https://repositorio.ulisboa.pt/handle/10451/9777
Garcia Vargas, E.; González Cesteros, H.; Almeida, R. R. (2011) Los tipos anfóricos del Guadalquivir en el marco de los envases hispanos del siglo I A.C. un universo heterogéneo entre la imitación y la estandarización, Spal, 20, p. 185-283.
https://revistascientificas.us.es/index.php/spal/article/download/9185/13761?inline=1
Garcia Vargas, E.; González Cesteros, H.; Almeida, R. R. (2019) Ovoid amphorae as the first Roman provincial repertoire in Hispania Ulterior (the Guadalquivir valley). Garcia Vargas, E.; Almeida, R. R.; González Cesteros, H.; Saéz Romero, A. M. (eds) The Ovoid Amphorae in the Central and Western Mediterranean. Between the last two centuries of the Republic and the early days of Roman Empire. Oxford: Archaeopress, p. 62-111.
(51) Ovoid amphorae as the first Roman provincial repertoire in Hispania Ulterior (the Guadalquivir Valley)
Peacock, D. P. S.; Williams, D. F. (1986) Amphorae and the Roman economy.London / New York: Longman
https://archive.org/details/amphoraeromaneco0000peac/page/n5/mode/2up
AGENDA
|
31st EAA Annual Meeting
«Intertwined Pasts» 2 a 6 de setembro Belgrado, Sérvia (Online) Mais informação AQUI |
4th EAAA Conference
European Association for Asian Art and Archaeology 8 a 13 de setembro Faculdade de Letras de Lisboa Mais informação AQUI |
International Conference
Rural History 2025 9 a 12 de setembro Universidade de Coimbra Mais informação AQUI |
ARIES project meeting 2025
15 years of Archaeogenetics research in Portugal 11 e 12 de setembro Campus Agrário de Vairão Mais informações e inscrição AQUI |
|
MESO 2025
11th International Conference of the Mesolithic in Europe 15 a 19 de setembro Ferrara (Itália) Mais informação AQUI |
Congresso Internacional Arqueologia Urbana: Que Futuro?
18 a 20 de setembro Auditório do Museu D. Diogo de Sousa (Braga) Mais informação AQUI |
Noite Europeia dos Investigadores 2025
«Science for Global Challenges» 26 de setembro Mais informação AQUI |
Participações em Congressos, Colóquios e Conferências
Participation in Congresses, Meetings and Conferences
Participation in Congresses, Meetings and Conferences
|
XVI Jornadas de Jovens em Investigação Arqueológica
Participação de Alice Baeta, Ana Rosa, Inês Catarina da Silva, Miguel Rodrigues, Paula do Nascimento e Rafael Lima 27 a 29 de agosto | Barcelona (Espanha) |
Provas Académicas
Academic Examinations
Academic Examinations
Tese de Doutoramento/PhdThesis "The Artificial Theorist: identifying concepts, ideas and patterns in the archaeological discourse of Iberian Peninsula (20th-21st centuries) resorting to Artificial Intelligence and Machine Learning"
por/by Daniel Martins da Silva Rodrigues de Carvalho
18 de setembro | 9h30 | Sala D. Pedro V da Faculdade de Letras de Lisboa & Online (Teams)
por/by Daniel Martins da Silva Rodrigues de Carvalho
18 de setembro | 9h30 | Sala D. Pedro V da Faculdade de Letras de Lisboa & Online (Teams)
|
Subscreva o Boletim UNIARQ DIGITAL
Subscribe Newsletter UNIARQ DIGITAL Está a receber a ligação para esta newsletter porque o seu endereço de e-mail se encontra nas nossas bases de dados.
Não está interessado? Pode cancelar a subscrição para o endereço [email protected]. You are receiving the link to this newsletter because your contact is in our database.
If not interested in it, you may cancel your subscription by sending an email to [email protected]. |
Direcção / Direction Board: Mariana Diniz, Cleia Detry, Elisa de Sousa
Edição e Textos / Edition and Texts: Alexandre Gonçalves, Ana Cristina Araújo, André Pereira, Bianca Viseu, Carlos Fabião, Daniel Sánchez-Gómez, Filipa Rodrigues, Mariana Diniz, Mariana Nabais, Ricardo Basso Rial, Rui Monge Soares, Victor Filipe Copyright © 2025 UNIARQ, Todos os direitos reservados / All rights reserved O nosso endereço / our address: Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (UNIARQ) Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Alameda da Universidade 1600-214 Lisboa PORTUGAL [email protected] Siga as nossas actividades também no facebook, bluesky, instagram e youtube Follow us on facebook, bluesky, instagram and youtube |