Editorial
Mariana Diniz, Directora da UNIARQ / UNIARQ Director
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Dedico este Editorial da UNIARQ Digital às Campanhas de Campo e aos Trabalhos de Laboratório, que continuarão a decorrer até ao próximo mês de Setembro, uma dos mais públicas e mediáticas etapas da actividade arqueológica e que, na UNIARQ, constituem um dos momentos de mais clara demonstração do dinamismo e do impacto da investigação que se desenvolve no Centro de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Porque a quantificação é também um elemento de descrição do real, alguns números sustentam a afirmação. Em 18 sítios arqueológicos estão envolvidos nestes trabalhos, como directores de escavação, mais de 25 Investigadores da UNIARQ, Integrados e Colaboradores, mais de uma dezena de estudantes de doutoramento, com responsabilidades efectivas, e, como parte fundamental do treino de novas gerações, cerca de 90 estudantes da Licenciatura e do Mestrado em Arqueologia da Faculdade de Letras de Lisboa, a quem é dada a oportunidade, decisiva para a sua aprendizagem, de fazerem parte, desde as primeiras fases a sua graduação, de projectos de investigação em curso. Os projectos de campo e de laboratório da UNIARQ cobrem uma cronologia alargada, que abrange os últimos 400 mil anos da trajectória humana e estendem-se por uma geografia ampla, onde o actual território português tem um lugar de destaque, mas onde são objecto de investigação lugares do interior da Península como a Ciudad de Vascos (Espanha) e da África atlântica, como Cacheu (Guiné) ou Serra da Leba (Angola). Numa perspectiva transdisciplinar, as intervenções incidem sobre contextos Paleolíticos, Neolíticos, Calcolíticos, Idade do Ferro e Período Romano, sobre contextos Medievais e Modernos/Contemporâneos, construindo a partir de problemáticas comuns como a adaptação e o impacto das sociedades humanas ao/sobre o ambiente, as respostas a alterações climáticas de diferentes amplitudes, o papel da tecnologia, da simbólica e das redes de circulação e do consumo no quadro da complexificação social, os processos de migração, encontro, choque e miscigenação de culturas e de comunidades, lidos no Tempo Longo, só acessível à ciência arqueológica. Mas estes projectos de campo e de laboratório também são momentos em que as redes e parcerias, com outros Investigadores e outras instituições científicas, nacionais e internacionais, com Autarquias e Associações de Defesa do Património, se materializam. Também são momentos em que se torna visível, para as centenas de visitantes que em diferentes pontos do país participam no Dia Aberto, prática corrente nas escavações da UNIARQ, a Arqueologia que se faz em Portugal. É durante estas campanhas que a fundamental preservação e divulgação do Património se tornam tópicos, ainda mais, sensíveis, e é também nestes períodos, quando as equipas de Arqueologia estão nos sítios, em muitos lugares afastados dos grandes centros urbanos, com populações reduzidas e envelhecidas, que se enraízam nesses espaços, e se transmitem por canais digitais aos que partiram, sentimentos de identidade e de pertença, que resultam da, também, dimensão pública da Arqueologia. É assim o Verão num ecossistema de excelência como é a UNIARQ. Visitem-nos para, com a vossa presença, o tornarem ainda mais rico e diversificado. P.S.: Todos os Dias Abertos serão amplamente divulgados em todos os canais do Centro de Arqueologia. |
This Editorial of UNIARQ Digital will focus on the Field Campaigns and Laboratory Work, which will continue through to next September. These represent one of the most visible and high-profile phases of archaeological activity and, at UNIARQ, offer one of the clearest reflections of the dynamism and impact of the research conducted at the Archaeology Centre of the School of Arts and Humanities, University of Lisbon.
As quantification also plays a role in describing reality, a few figures underpin this statement. Work is currently being carried out at 18 archaeological sites, involving over 25 UNIARQ Researchers, both Integrated and Collaborating, as excavation directors. In addition, more than dozen doctoral students are taking on significant responsibilities. As fundamental part of training new generations, around 90 undergraduate and Master’s students in Archaeology from the School of Arts and Humanities of Lisbon are also involved. These students are given a decisive opportunity, crucial for their learning, to participate in ongoing research projects from the earliest stages of their academic journey. UNIARQ’s field and laboratory projects encompass an extensive chronology, spanning the last 400,000 years of human history, and cover a broad geographical range. The present-day territory of Portugal naturally holds a central place, but research is also carried out in other locations within the Iberian Peninsula, such as Ciudad de Vascos (Spain), and in Atlantic Africa, such as Cacheu (Guinea) and Serra da Leba (Angola). Adopting a transdisciplinary perspective, these projects focus on contexts ranging from the Palaeolithic, Neolithic, Chalcolithic, Iron Age and Roman periods, through to the Medieval and Modern/Contemporary eras. They are framed by shared research questions - such as human adaptation to and impact on the environment; responses to climate change of varying scales; the role of technology, symbolism and networks of circulation and consumption in processes of social complexity; and the dynamics of migration, encounter, conflict and cultural mixing - all interpreted through the lens of the longue durée, which can only be accessed through archaeological science. These field and laboratory projects are also key moments in which networks and partnerships take concrete form — whether with fellow researchers and scientific institutions, both national and international, or with local authorities and heritage associations. They are also occasions when, for the hundreds of visitors who attend Open Days across the country (a common practice at UNIARQ excavations), the archaeology undertaken in Portugal becomes visible. It is during these campaigns that the essential tasks of heritage preservation and dissemination become particularly sensitive issues. It is likewise in these periods—when archaeological teams are present in the field, often far from major urban centres and in areas with small and ageing populations—that they become embedded in these spaces, transmitting through digital channels, feelings of identity and belonging to those who have moved away - an experience rooted in archaeology’s inherently public dimension. This is what summer looks like in an ecosystem of excellence such as UNIARQ. Do come and visit us, and with your presence, help make it even richer and more diverse. P.S.: All Open Days will be widely publicised across all of the Archaeology Centre’s communication channels. |
Tradução de CHATGPT revista por Elisabetta Colla
NOTÍCIAS / NEWS
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UNIARQ em destaque nas III Jornadas Internacionais "Coisas de Deleite e Fruição – Arqueologia dos Prazeres" em Palmela
Entre os dias 5 e 8 de junho, o Cine-Teatro São João, em Palmela, acolheu a terceira edição das Jornadas Internacionais Coisas de Deleite e Fruição – Arqueologia dos Prazeres, um encontro dedicado à exploração arqueológica dos prazeres, gostos e objetos de fruição ao longo do tempo.
Como tem sido habitual, a UNIARQ marcou uma presença expressiva neste evento, com uma participação científica diversificada e transversal a vários períodos cronológicos, do Paleolítico ao período moderno. Entre as comunicações apresentadas, destacaram-se:
João Tereso – Ex oriente Vitis: a vinha e o vinho do sudoeste asiático ao ocidente ibérico; Mariana Nabais – Para além da caça de grande porte: a dieta Neandertal e os contributos experimentais para o estudo do consumo de pequenas presas; Carlos Fabião – Delícias campestres: consumo de ostras nas villae da Lusitania; Cleia Detry – Animais para o deleite: restos arqueofaunísticos da Casa do Anfiteatro em Mérida (Espanha); Ana Beatriz Santos e Patrícia Aleixo – Das fontes clássicas ao registo arqueológico: a alimentação nas cidades de Olisipo e Conimbriga – dados preliminares; Catarina Costeira, Francisco B. Gomes e Eduardo Porfírio – ‘Dress to Impress’: os têxteis como objecto de desejo na Idade do Bronze do sul de Portugal (2200 – 800 a.n.e.); Mariana Diniz – Para o prazer dos olhos (mas não só) – os objectos de adorno e os objectos adornados do Neolítico antigo, no Sul de Portugal; João Luís Cardoso, Cátia Saque Delicado, Daniel van Calker e Ana Catarina Sousa – Botões campaniformes na Estremadura portuguesa: uma aproximação a práticas de adorno no 3º milénio a.C.; Francisco B. Gomes – ‘Com a fragrância dos teus refinados perfumes…’: o cuidado e o adorno do corpo na I Idade do Ferro do Sul de Portugal (sécs. VIII – V a.n.e.); Amílcar Guerra – Felix Materne hunc cubiculum: fruir vida no campo, a arte e os objectos na Hispânia romana. A participação da UNIARQ incluiu ainda um contributo em formato de poster, apresentado pela aluna de mestrado Clara Guerreiro, sobre as faunas de Setúbal no século XVII.
Mais uma vez, esta presença ativa e variada reflete o dinamismo e a diversidade temática das investigações em curso no seio da UNIARQ, bem como o empenho em promover o diálogo científico e interdisciplinar no campo da Arqueologia. |
UNIARQ in the spotlight at the 3rd International Conference on Objects of Delight and Enjoyment - The Archaeology of Pleasures in Palmela
Between 5 and 8 June, the Cine-Teatro São João in Palmela hosted the third edition of the International Conference Coisas de Deleite e Fruição – Arqueologia dos Prazeres, a gathering dedicated to the archaeological exploration of pleasures, tastes and objects of enjoyment over time.
As usual , UNIARQ had a significant presence at this event, with a diverse scientific contribution spanning several chronological periods, from the Palaeolithic to the modern era. Among the presented papers were the following:
João Tereso – Ex oriente Vitis: a vinha e o vinho do sudoeste asiático ao ocidente ibérico; Mariana Nabais – Para além da caça de grande porte: a dieta Neandertal e os contributos experimentais para o estudo do consumo de pequenas presas; Carlos Fabião – Delícias campestres: consumo de ostras nas villae da Lusitania; Cleia Detry – Animais para o deleite: restos arqueofaunísticos da Casa do Anfiteatro em Mérida (Espanha); Ana Beatriz Santos and Patrícia Aleixo – Das fontes clássicas ao registo arqueológico: a alimentação nas cidades de Olisipo e Conimbriga – dados preliminares; Catarina Costeira, Francisco B. Gomes and Eduardo Porfírio – ‘Dress to Impress’: os têxteis como objecto de desejo na Idade do Bronze do sul de Portugal (2200 – 800 a.n.e.); Mariana Diniz – Para o prazer dos olhos (mas não só) – os objectos de adorno e os objectos adornados do Neolítico antigo, no Sul de Portugal; João Luís Cardoso, Cátia Saque Delicado, Daniel van Calker and Ana Catarina Sousa – Botões campaniformes na Estremadura portuguesa: uma aproximação a práticas de adorno no 3º milénio a.C.; Francisco B. Gomes – ‘Com a fragrância dos teus refinados perfumes…’: o cuidado e o adorno do corpo na I Idade do Ferro do Sul de Portugal (sécs. VIII – V a.n.e.); Amílcar Guerra – Felix Materne hunc cubiculum: fruir vida no campo, a arte e os objectos na Hispânia romana. UNIARQ’s participation also included a contribution in poster format, presented by Master’s student Clara Guerreiro, on the faunal remains of 17th-century Setúbal.
Once again, this active and varied presence reflects the dynamism and thematic diversity of the research currently underway within UNIARQ, as well as the commitment to fostering scientific and interdisciplinary dialogue in the field of Archaeology. |
Cleia Detry; Tradução de CHATGPT revista por Daniel Sánchez-Gómez
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Investigadores da UNIARQ presentes no I Congreso Internacional Arqueología Digital y gestión del patrimonio. Ciencia abierta aplicada a estudios del pasado (Cadiz, 25 a 27 de Junho)
Investigadores do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (UNIARQ) marcaram presença neste importante congresso internacional que pretendeu reflectir sobre os desafios que coloca a digitalização e as práticas da ciência aberta, a partir de estudos de caso. Foram abordados temas como a criação de arquivos científicos em registo digital e sua disponibilização (Carlos Fabião e Matilde Seca) ou projectos de investigação de partilha pública de dados e resultados, designadamente no âmbito da numismática (Ruth Pliego e Alice Baeta).
Estas e as outras intervenções podem ser vistas aqui: https://www.youtube.com/c/AudiovisualesUCATV/live |
Researchers from UNIARQ present at the I Congreso Internacional Arqueología Digital y gestión del patrimonio. Ciencia abierta aplicada a estudios del pasado (Cádiz, 25–27 June)
Researchers from the Centre for Archaeology of the University of Lisbon (UNIARQ) took part in this important international congress, which aimed to reflect on the challenges posed by digitisation and open science practices, based on case studies. Topics such as the creation of scientific archives in digital format and their availability (Carlos Fabião and Matilde Seca) or research projects for the public sharing of data and results were discussed, particularly in the field of numismatics (Ruth Pliego and Alice Baeta).
These and other presentations can be viewed here: https://www.youtube.com/c/AudiovisualesUCATV/live |
Carlos Fabião; Tradução de CHATGPT revista por Daniel Sánchez-Gómez
INVESTIGAÇÃO NA UNIARQ
RESEARCH AT UNIARQ
RESEARCH AT UNIARQ
CAMPANHAS DE VERÃO
SUMMER CAMPAIGNS
SUMMER CAMPAIGNS
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Iniciaram-se, em junho, as campanhas de investigação de campo e de laboratório dos investigadores da UNIARQ, que se prolongarão até ao mês de setembro.
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Field and lab research campaigns by UNIARQ researchers began in June and will continue until September.
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CAMPO / FIELD
1. Penascosa (Vila Nova de Foz Côa). Paleolítico. Projecto CÔA3P: Paleogeografia, Paleoclimatologia e Paletnologia do Côa e territórios envolventes. Thierry Aubry e Miguel Almeida
2. Olga Grande 4 (Vila Nova de Foz Côa). Paleolítico. Projecto CÔA3P: Paleogeografia, Paleoclimatologia e Paletnologia do Côa e territórios envolventes. Thierry Aubry e Miguel Almeida
3. Orca 1 de Troviscos (Carregal do Sal). Do Neolítico antigo regional à Idade do Bronze inicial. Projecto NeoMEGA3 – Antigas Sociedades Camponesas e Megalitismo na Plataforma do Mondego: Investigação, Recuperação, Integração e Valorização Patrimonial. José Ventura
4. Abrigo da Gruta da Buraca da Moira (Leiria). Do Calcolítico ao Gravetense Médio. Projecto EcoPLis - Ecótonos Plistocénicos na Bacia do Rio Lis. Telmo Pereira
5. Abrigo da Senhora das Lapas (Tomar). Paleolítico Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Luis Gomes, Mariana Nabais, Filipa Rodrigues e Alexandre Varanda
6. Gruta do Caldeirão (Tomar). Paleolítico Médio/Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Luis Gomes, Mariana Nabais e Alexandre Varanda
7. Gruta 3 da Curva da Bezelga - Lapa Escura (Torres Novas). Paleolítico Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Maria Melo, Filipa Rodrigues e Luís Gomes
8. Gruta do Aderno (Torres Novas). Paleolítico Inferior. Projecto Arqueologia e evolução dos primeiros humanos na fachada atlântica da Península Ibérica (ARQEVO 2). Henrique Matias, John Willman e João Zilhão
9. Lapa da Bugalheira (Torres Novas). Neolítico Antigo e Médio. Projecto ARQEVO: Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da Península Ibérica. Filipa Rodrigues e João Zilhão
10. Villa Cardílio (Torres Novas). Romano. Projecto Villa Cardílio: a romanização da bacia hidrográfica do Almonda. Victor Filipe
11. Cidade Romana de Ammaia (Marvão). Romano e Antiguidade Tardia. Projecto CRA Ludi. Anfiteatro da cidade romana de Ammaia. Carlos Fabião, Amílcar Guerra e Catarina Viegas
12. Povoado de Vila Nova de São Pedro (Azambuja). Calcolítico. Projecto Vila Nova de São Pedro, de novo no 3º milénio - VNSP3000. Mariana Diniz e César Neves
13. Bacia de Rio Maior (Vila Nova de São Pedro). Projecto MOBlades - Proveniência da matéria-prima das lâminas como indicador da mobilidade humana ao longo do Calcolítico do SW da Península Ibérica. Patrícia Jordão
14. Vale do Forno 8 (Alpiarça). Paleolítico Inferior. Projecto O tecno-complexo Acheulense no ocidente europeu: caracterização e variabilidade das indústrias acheulenses da vertente atlântica da Península Ibérica. Carlos Ferreira, João Pedro Cunha-Ribeiro e Eduardo Méndez-Quintas
15. Alto da Vigia (Sintra). Romano e Medieval Islâmico. Projecto Alto da Vigia: Santuário Romano Astral e Ribat de Alconchel. Alexandre Gonçalves
20. Castelo Velho de Safara (Moura). Calcolítico, Idade do Ferro, Romano Republicano. Projecto FOMEGA II. Mariana Nabais, Margarida Figueiredo e Rui Monge Soares
21. Ciudad de Vascos (Toledo, Espanha). Andalusi (Ss. IX-XI). Projecto Intervenciones arqueológicas en Ciudad de Vascos (2025). Jorge de Juan Ares
22. Gruta da Sassa (Sumbe, Província do Cuanza Sul) e Gruta do Tchivinguiro (Humpata, Província da Huíla). Angola. Idade da Pedra. Projecto PaleoLeba. Daniela de Matos
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LABORATÓRIO / LAB
4. Abrigo da Gruta da Buraca da Moira (Leiria). Do Calcolítico ao Gravetense Médio. Projecto EcoPLis - Ecótonos Plistocénicos na Bacia do Rio Lis. Telmo Pereira
5. Abrigo da Senhora das Lapas (Tomar). Paleolítico Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Luis Gomes, Mariana Nabais, Filipa Rodrigues e Alexandre Varanda
6. Gruta do Caldeirão (Tomar). Paleolítico Médio/Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Luis Gomes, Mariana Nabais e Alexandre Varanda
7. Gruta 3 da Curva da Bezelga - Lapa Escura (Torres Novas). Paleolítico Superior. Projecto ARQEVO 2 - Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da península Ibérica 2 (continuação). Maria Melo, Filipa Rodrigues e Luís Gomes
8. Gruta do Aderno (Torres Novas). Paleolítico Inferior. Projecto Arqueologia e evolução dos primeiros humanos na fachada atlântica da Península Ibérica (ARQEVO 2). Henrique Matias, John Willman e João Zilhão
9. Lapa da Bugalheira (Torres Novas). Neolítico Antigo e Médio. Projecto ARQEVO: Arqueologia e Evolução dos Primeiros Humanos na Fachada Atlântica da Península Ibérica. Filipa Rodrigues e João Zilhão
10. Villa Cardílio (Torres Novas). Romano. Projecto Villa Cardílio: a romanização da bacia hidrográfica do Almonda. Victor Filipe
11. Cidade Romana de Ammaia (Marvão). Romano e Antiguidade Tardia. Projecto CRA Ludi. Anfiteatro da cidade romana de Ammaia. Carlos Fabião, Amílcar Guerra e Catarina Viegas
12. Povoado de Vila Nova de São Pedro (Azambuja). Calcolítico. Projecto Vila Nova de São Pedro, de novo no 3º milénio - VNSP3000. Mariana Diniz e César Neves
13. Bacia de Rio Maior (Vila Nova de São Pedro). Projecto MOBlades - Proveniência da matéria-prima das lâminas como indicador da mobilidade humana ao longo do Calcolítico do SW da Península Ibérica. Patrícia Jordão
14. Vale do Forno 8 (Alpiarça). Paleolítico Inferior. Projecto O tecno-complexo Acheulense no ocidente europeu: caracterização e variabilidade das indústrias acheulenses da vertente atlântica da Península Ibérica. Carlos Ferreira, João Pedro Cunha-Ribeiro e Eduardo Méndez-Quintas
15. Alto da Vigia (Sintra). Romano e Medieval Islâmico. Projecto Alto da Vigia: Santuário Romano Astral e Ribat de Alconchel. Alexandre Gonçalves;
16. Laboratório de Processos Costeiros / FCUL. Últimos 500 anos. Projecto ECOFREEDOM - Ecologia da liberdade: Materialidades da escravidão e Pós-Emancipação no Mundo Atlântico. Ana Costa
17. Laboratório de inventário e catalogação de Capambonge Velho / FLUL. Idade da Pedra Inferior e Média. Projecto ARQMEM. João Pedro Cunha-Ribeiro e Paula Nascimento
18. Laboratório Casal Leitão / LARC. Mesolítico Antigo. Projecto Estruturas mesolíticas de Casal Leitão. Ana Cristina Araújo
19. Laboratório Abrigo do Lagar Velho / LARC. Paleolítico Superior. Projecto Testemunho Pendurado do Abrigo do Lagar Velho. Ana Cristina Araújo
21. Ciudad de Vascos (Toledo, Espanha). Andalusi (Ss. IX-XI). Projecto Intervenciones arqueológicas en Ciudad de Vascos (2025). Jorge de Juan Ares
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Do objeto ao registo: inventário e catalogação dos artefactos líticos do sítio de Capangombe Velho (Namibe, Angola)
Desde 2021, as Coleções da Arqueologia Colonial Portuguesa são alvo de um novo processo de inventariação por parte da equipa da UNIARQ – Projeto ARQMEM, com apoio dos alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que decorre sob a orientação de Paula do Nascimento (UNIARQ/FLUL/FCT/MNA) e curadoria de João Pedro Cunha-Ribeiro (UNIARQ/FLUL).
O foco inicial deste trabalho é o conjunto de 100 000 peças provenientes de escavação arqueológica no sítio de Capangombe Velho, localizado na província do Namibe, em Angola. Capangombe Velho faz parte das 27 jazidas investigadas durante a Missão de Estudos ao Sudoeste de Angola (MEASA), realizada entre 1966 e 1967 sob a direção do geólogo e pré-historiador Miguel Ramos, antigo membro da Junta de Investigações do Ultramar e, posteriormente, diretor do Centro de Pré-História e Arqueologia do Instituto de Investigação Científica Tropical (1980-1991). À época, Capangombe Velho foi classificado como um sítio pré-histórico, representando dois momentos de ocupação: um mais antigo retratando a transição do Acheulense para a Idade da Pedra Média e uma ocupação mais tardia coeva a outros locais da Idade da Pedra Superior.
Em junho de 2025 participaram onze alunos da Licenciatura em Arqueologia no programa de voluntariado, o qual decorreu ao longo de três semanas. Mantendo o otimismo que caracteriza a equipa e o ambiente, mais de 85% do conjunto artefatual já se encontra inventariado, tendo como previsão terminar no próximo ano letivo. Para a maioria dos alunos este significa o primeiro contacto com a investigação científica e as metodologias de inventário e catalogação em Arqueologia, permitindo divulgar o património da Universidade de Lisboa, valorizando a herança cultural dos países africanos. |
From Object to Record: Inventory and Cataloguing of the Lithic Artefacts from Capangombe Velho Site (Namibe, Angola)
Since 2021, the Collections of Portuguese Colonial Archaeology have been subjected to a new inventory process carried out by the UNIARQ – ARQMEM Project team, with the support of students from the School of Arts and Humanities - University of Lisbon (FLUL). This work is conducted under the supervision of Paula do Nascimento (UNIARQ/FLUL/FCT/MNA) and curated by João Pedro Cunha-Ribeiro (UNIARQ/FLUL).
The primary focus of this study is the assemblage of 100,000 artefacts recovered from archaeological excavations at the Capangombe Velho site, located in Namibe Province, Angola. Capangombe Velho is one out of 27 sites investigated during the Mission for the Study of Southwest Angola (MEASA), carried out between 1966 and 1967 under the direction of the geologist and prehistorian Miguel Ramos, a former member of the Overseas Research Board and later Director of the Centre for Prehistory and Archaeology at the Institute of Tropical Scientific Research (1980–1991). At the time, Capangombe Velho was classified as a prehistoric site, comprising two phases of occupation: an earlier phase reflecting the transition from the Acheulean to the Middle Stone Age, and a later phase contemporaneous with other Upper Stone Age sites. In June 2025, eleven undergraduate archaeology students participated in the three-week volunteer programme, which ran over the course of three weeks. Maintaining the optimism that characterises the team and the working environment, more than 85% of the collection has already been inventoried with completion expected in the next academic year. For most of the students, this has marked their first experience with scientific research and with archaeological inventory and cataloguing methods, contributing to the dissemination of the University of Lisbon’s heritage and enhancing the cultural legacy of African countries.
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Paula do Nascimento, João Pedro Cunha-Ribeiro e Daniela de Matos; Tradução de CHATGPT revista por Daniel Sánchez-Gómez e Elisabetta Colla
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A campanha PaleoLeba 2025: Que histórias contam as grutas de Angola?
As grutas contêm, com frequência, vestígios de utilização humana, e são por isso locais de especial interesse para a pesquisa arqueológica. Desde Fevereiro de 2018, que o Projeto PaleoLeba desenvolve trabalhos de mapeamento nas Grutas da Humpata, na Província da Huíla, assim como a escavação arqueológica da Gruta da Leba, onde se encontraram vestígios fósseis e arqueológicos da Idade da Pedra.
As grutas podem também conter outro tipo de informações com interesse para as geociências, por exemplo, para reconstituir o clima e a paisagem circundante. Este tipo de estudo permite dar resposta a questões atuais sobre os ciclos de seca extrema que afetam sobretudo as regiões do sul de Angola. Ao analisar a informação geoquímica contida nas estalagmites das grutas é possível reconstituir flutuações ambientais importantes no passado. Entre 15 e 21 de Junho, a equipa do projeto PaleoLeba deslocou-se à província do Cuanza Sul e à província da Huíla para estudar as duas grutas mais visitadas em Angola, a Gruta da Sassa, no Sumbe (Província do Cuanza Sul) e da Gruta do Tchivinguiro, na Humpata (Província da Huíla) Integrando elementos da Uniarq, da Universidade Mandume Ya Ndemufayo, da Universidade do Namibe, do Museu de História Natural Americano, do Clube de Espeleologia de Berlim, a equipa juntou-se ao Instituto Nacional do Património Cultural-MinCult e à Associação de Guias Turísticos de Angola para prospectar e datar as grutas de interesse nacional. Com este objetivo foram recolhidas duas estalagmites para análise geoquímica, e que será comparada com os registos continentais de outros países vizinhos, por forma a compreender as flutuações climáticas na faixa atlântica de África.
Esta pesquisa é financiada pela Niarchos Foundation - Museu de História Natural Americano e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). |
PaleoLeba 2025 Campaign: What Stories Do Angola’s Caves Reveal?
Caves frequently show signs of past human activity, making them sites of particular archaeological interest. Since February 2018, the PaleoLeba Project has been conducting mapping work in the Humpata Caves, located in Huíla Province, as well as the archaeological excavation at Leba Cave, where Stone Age fossil and archaeological remains have been uncovered.
Caves may also contain valuable information relevant to geosciences, such as insights into past climate and the surrounding landscape. Such kind of studies contribute to our understanding of current challenges, particularly the recurring cycles of severe drought affecting southern regions of Angola. By analysing the geochemical information preserved in the stalagmites within the caves, it is possible to reconstruct significant environmental changes that occurred in the past. Between 15 and 21 June, the PaleoLeba project team carried out fieldwork in Cuanza Sul Province and Huíla Province, focusing on two of Angola’s most frequently visited caves: the Sassa Cave in Sumbe (Cuanza Sul Province) and the Tchivinguiro Cave in Humpata (Huíla Province). The multidisciplinary team - comprising members from UNIARQ, Mandume Ya Ndemufayo University, Namibe University, the American Museum of Natural History, and the Berlin Speleology Club collaborated with the National Institute of Cultural Heritage (MinCult) and the Angolan Tourist Guides Association to survey and date caves of national interest.
For this purpose, two stalagmites were collected for geochemical analysis. The results will be compared with continental records from neighbouring countries in order to better understand climatic fluctuations along the Atlantic belt of Africa. This research is funded by the Niarchos Foundation – American Museum of Natural History and by the Foundation for Science and Technology (FCT). |
Daniela de Matos; Tradução de CHATGPT revista por Elisabetta Colla
INVESTIGADOR VISITANTE NA UNIARQ
VISITING RESEARCHER AT UNIARQ
VISITING RESEARCHER AT UNIARQ
María Pastor Quiles (INAPH, Universidade de Alicante)
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A investigadora e professora María Pastor Quiles (INAPH- Instituto Universitário de Arqueologia e Património Histórico, Universidade de Alicante) está a realizar este verão uma estadia de investigação de vários meses na UNIARQ, para estudar os restos construtivos de terra inéditos em vários assentamentos pré-históricos portugueses, do período Calcolítico, com o objetivo de caraterizar os materiais, técnicas e práticas construtivas utilizadas em diferentes sítios, esperando novos resultados comparativos de grande interesse. A colaboração com a Professora Ana Catarina Sousa, já estabelecida em 2023, prossegue com o estudo dos vestígios de terra do Cerro do Castelo de Santa Justa (Alcoutim). Está também a trabalhar nas evidências recuperadas no sítio Montoito 2 (Redondo), colaborando com a equipa do investigador Rui Mataloto. Finalmente, está a analisar os vestígios de barro recuperados no reconhecido sítio dos Perdigões (Reguengos de Monsaraz), projeto coordenado pelo investigador António Valera.
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Researcher and professor María Pastor Quiles (INAPH- Instituto Universitario de Arqueología y Patrimonio Histórico, University of Alicante) is carrying out a research stay of several months at UNIARQ this summer, to study the unpublished earthen construction remains of several Portuguese prehistoric settlements from the Chalcolithic period, with the aim of characterising the materials, techniques and construction practices used at different sites, expecting new comparative results of great interest.
The collaboration with Professor Ana Catarina Sousa, already established in 2023, continues with the study of the earthen remains of the Cerro do Castelo de Santa Justa (Alcoutim). She is also working on the evidence recovered at the Montoito 2 site (Redondo), collaborating with the research team of Rui Mataloto. Finally, she is analysing the clay remains recovered at the renowned Perdigões site (Reguengos de Monsaraz), a project coordinated by researcher António Valera. |
Maria Pastor Quiles; Tradução de Daniel Sánchez-Gómez
PEÇA DO MÊS
FIND OF THE MONTH
FIND OF THE MONTH
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Recipiente de asa/pega sobre-elevada decorada
Proveniência: Castro de S. Romão (Seia, Portugal)
Cronologia: Bronze Final Direcção dos trabalhos: João Carlos de Senna-Martinez Descrição: Trata-se de um fragmento de um recipiente cerâmico que se estende desde o bordo até parte da pança, a partir da qual arranca verticalmente um “reforço” de argila (de cerca de 2cm máximos, feito aparentemente por repuxamento) que vai para lá do bordo onde surge fragmentado, impedindo a sua reconstituição total, podendo resultar numa asa, pega, ou qualquer tipo de apêndice decorativo sobre-elevado. Este elemento teria uma secção aparentemente circular e verifica-se sobre o dito “reforço” uma decoração pontilhada que provavelmente continuaria pela asa/pega. O recipiente teria um diâmetro de 16,6 cm, com bordo exvertido e de lábio arredondado com 0,7 cm de espessura. Apresenta elementos não plásticos muito frequentes e de tamanho médio, uma consistência compacta e cozedura redutora, com um acabamento espatulado e com engobe em ambas as faces. A peça provém de uma unidade de lixeira associada à área de trabalho metalúrgico do Sector A do Castro de S. Romão, contexto datado do Bronze Final (Ribeiro, 2018). Comentário: As asas/pegas/apêndices sobre-elevadas marcam a Idade do Bronze de várias regiões mediterrânicas, apresentando diferentes formatos, desde as mais simples, verticais ou horizontais, até às mais trabalhadas. As suas vantagens utilitárias são claras, mas uma intenção estética/simbólica parece sobrepor-se na grande maioria dos casos. Esta ideia parece ter tido origem no Norte itálico, mais propriamente na cultura de Polada, onde as asas de forma “cornuta/lunata” (forma de meia lua) estão tradicionalmente ligadas ao Bronze Médio e os apêndices zoomórficos à Idade do Ferro. As mais frequentes, no entanto, seriam as asas “ad ascia” (forma de martelo) e os apêndices de “botão”, que seriam típicos desde os finais do Bronze Inicial até à Idade do Ferro. Terá sido nos finais do Bronze Médio que esta ideia viajou desde o Norte itálico, passando por toda a costa mediterrânica francesa e atravessando os Pirinéus até chegar ao levante espanhol, espalhando-se até pelo menos ao extremo oriental da Meseta Norte, tendo sido adoptada e adaptada aos modelos cerâmicos locais, maioritariamente em contextos do Bronze Final (Cattani, 2011; Neumaier, 2006, p.152; Espejo Blanco, 2000-2001, p.37). No extremo ocidente peninsular conhecemos até agora apenas exemplares de asas (horizontais e verticais) e pegas sobre-elevadas simples, e apesar de serem poucos, parecem surgir especialmente nas Beiras. De destacar, no entanto, uma pega de formato zoomórfico do próprio CSR em níveis aparentemente do Bronze Final do sector B (Fabião e Guerra, 1988-1989, p.79). A fragmentação desta peça em análise impede-nos de saber que forma teria o recipiente ou o elemento de preensão sobre-elevado, mas a análise da sua pasta aponta para uma produção tipicamente local à qual foi adicionada a novidade importada de uma asa/pega/apêndice sobre-elevado, provavelmente simples e podendo ser horizontal ou vertical. O dito “reforço” no arranque da asa/pega desta peça não é usual nos exemplares itálicos, pelo que será um testemunho da importação do conceito e não da sua técnica de fabrico, facto que explicaria a maior simplicidade das asas/pegas sobre-elevadas encontradas no nosso território. No entanto, é de destacar que o elemento de preensão desta peça está associado a uma decoração pontilhada, uma associação também tradicionalmente praticada no Norte itálico. Esta peça, um dos exemplares mais a ocidente desta tipologia, vem assim testemunhar os contactos nos finais da Idade do Bronze, provavelmente através da Meseta, entre o Ocidente peninsular, especialmente da região da Beira Alta, e o mundo além-Pireneus, particularmente com o Norte itálico. Estes contactos eram já apontados, por exemplo, pela presença dos carros votivos de Baiões cujos melhores paralelos são itálicos. Local de depósito: UNIARQ |
Decorated overhanging handle vessel
Provenance: Castro de S. Romão (Seia, Portugal)
Chronology: Late Bronze Age Excavation Director: João Carlos de Senna-Martinez Description: This is a fragment of a ceramic vessel that extends from the rim to part of the body, from which a vertical clay “reinforcement” (up to approximately 2 cm wide, apparently created by pulling the clay) emerges. This projection extends beyond the rim, where it is broken, preventing full reconstruction. It may have formed a handle, grip, or some kind of elevated decorative appendage. This element appears to have had a circular cross-section, and a dotted decoration is visible on the “reinforcement,” likely continuing onto the handle or grip. The vessel had a diameter of 16.6 cm, with an everted rim and a rounded lip measuring 0.7 cm thick. It contains frequent medium-sized non-plastic inclusions, a compact texture, and was fired in a reducing atmosphere, with a burnished finish and slip on both surfaces. The piece comes from a refuse unit associated with the metallurgical working area of Sector A at Castro de S. Romão, in a context dated to the Late Bronze Age (Ribeiro, 2018). Commentary: Elevated handles/grips/appendages are a hallmark of the Bronze Age in several Mediterranean regions, presenting in various forms, ranging from simple vertical or horizontal types to more elaborate designs. While their functional utility is evident, in most cases an aesthetic or symbolic intention seems to prevail. This concept appears to have originated in northern Italy, specifically within the Polada culture, where “horned/lunate” handles (crescent-shaped) are traditionally linked to the Middle Bronze Age, and zoomorphic appendages to the Iron Age. More common, however, were the “ad ascia” (axe-shaped) handles and “button” appendages, typical from the end of the Early Bronze Age through to the Iron Age. It seems that in the late Middle Bronze Age, this idea traveled from northern Italy, along the French Mediterranean coast, across the Pyrenees, and into the Spanish Levant, spreading as far as the eastern edge of the Northern Meseta. There, it was adopted and adapted to local ceramic styles, primarily in Late Bronze Age contexts (Cattani, 2011; Neumaier, 2006, p.152; Espejo Blanco, 2000–2001, p.37). In the far western Iberian Peninsula, only a few examples of elevated handles or grips (both horizontal and vertical) have been discovered to date. Although scarce, they appear particularly in the Beiras region. One noteworthy example is a zoomorphic-shaped grip from CSR itself, found in layers seemingly dating to the Late Bronze Age in Sector B (Fabião and Guerra, 1988–1989, p.79). The fragmentary nature of this piece makes it impossible to determine the original shape of the vessel or the precise form of its elevated grip. However, analysis of the clay suggests a typically local production, to which the imported innovation of an elevated handle/grip/appendage was added—likely simple and either horizontal or vertical. The “reinforcement” at the base of the handle/grip is not typical of the Italian examples, indicating that it reflects the importation of a concept rather than a manufacturing technique. This would explain the simpler elevated handles/grips found in Portuguese territory. Nevertheless, the fact that the gripping element of this piece is decorated with dots is significant, as this is also a tradition seen in northern Italy. As one of the westernmost known examples of this typology, this piece serves as evidence of contacts at the end of the Bronze Age—probably via the Meseta—between the western Iberian Peninsula, particularly the Beira Alta region, and regions beyond the Pyrenees, especially northern Italy. Such connections had already been suggested, for example, by the presence of the votive carts from Baiões, whose closest parallels are also Italian. Repository: UNIARQ |
Bibliografia / Bibliography:
CATTANI, M. (2011) – Contributo alla definizione della fase iniziale della media età del bronzo in Italia centro-settentrionale: le impugnature con appendice ad ascia, Ipotesi di Preistoria, vol. 4, 2.
ESPEJO BLANCO, J. M. (2000-2001) – La cerámica con asas de apéndice de botón: un nuevo estado de la cuestión. Pyrenae, 31-32, p. 29-56.
FABIÃO, C.; GUERRA, A. (1988-1989) – A IV Campanha de escavações no Cabeço do Crasto de S. Romão, Seia: alguns resultados preliminares, Portvgalia, 9-10, p.73-87.
NEUMAIER, J. (2006) – Mito, artesanía e identidad cultural: los "campos de urnas" peninsulares y languedocienses a la luz de elementos "italianizantes". A propósito del paradigma de los urnenfelder "norte" y "sur" entorno del 1300-700 arq. ane. Quaderns de Prehistòria i Arqueologia de Castelló, 25, Diputació de Castelló: Servei de Publicacions, p. 147-166.
RIBEIRO, T. (2018) – Cerâmica e áreas funcionais: O conjunto cerâmico do “Ambiente AW3 exterior” do Cabeço do Crasto de S. Romão (Seia). Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
SENNA-MARTINEZ, J. C. (1993) – O sítio do Bronze Final da Malcata (Carregal do Sal): uma primeira análise. Trabalhos de Arqueologia da EAM, 1, Lisboa: Colibri, p.149-154.
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Telma Ribeiro. Tradução de CHATGPT revista por Daniel Sánchez-Gómez e Bianca Viseu
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